Sócrates diz que o combate eleitoral vai ser uma escolha de “atitude”

08.07.2009 - 22:29 Por Leonete Botelho
É para um combate de “atitude” que José Sócrates convocou ontem os deputados e o “PS inteiro”, pedindo-lhes “ânimo, força e coragem”. O combate eleitoral, segundo o primeiro- ministro, vai ser “uma questão de atitude”, uma escolha entre “quem tem confiança no país, vontade e ambição” e quem faz da “resignação, pessimismo e negativismo” uma “linha política”.
No jantar de final de sessão legislativa, o líder socialista afirmou que a legislatura que agora finda foi “a tempestade perfeita”, mas afirma-se pronto para outra.
“O meu estado de espírito é de quem parte para este período eleitoral para defender as nossas realizações e reformas”, afirmou José Sócrates, já depois de ter elencado as três marcas da sua governação: “Rigor e responsabilidade, ambição nas reformas modernizadoras do país e a marca social”. E aqui começa o jogo das diferenças.
“Está em jogo a disputa entre a escolha de quem acredita no Estado social e quem quer rasgar as políticas sociais”, defende o líder do PS. Para contrapôr que a direita, ao defender um “Estado imprescindível” não está senão a defender o “Estado mínimo que tem uma agenda escondida de privatizações”.
Na parte inicial da sua intervenção, Sócrates tinha definido a legislatura como “a tempestade perfeita”, que começou por enfrentar várias crises: orçamental, da segurança social e a derivada “de um país bloqueado na prossecução do interesse nacional”. E que no final teve de enfrentar “a maior crise mundial dos últimos 80 anos”. “Isto é que foi uma legislatura!”, desabafou. “Nem de encomenda!”
Passou em revista as políticas públicas, a estabilização das contas públicas – porque “o défice enfraquece o Estado” -, as reformas modernizadoras, as políticas sociais. “Sempre que o PS passa pelo Governo deixa as políticas sociais melhores”, sublinhou. “Fizemos tudo certo? Claro que não, mas nunca nos afastamos do essencial”, frisou.
Com pompa e circunstância q.b. e a polémica da proibição das duplas candidaturas em pano de fundo, o jantar de fim de legislatura na Estufa Real teve Manuel Alegre na mesa de honra, mas nem um candidato a presidências de Câmara. O vice-presidente da Assembleia da República veio despedir-se do grupo parlamentar, pois já afirmou que não será candidato nas legislativas, mas não quis alimentar divisões internas.
Em resposta a Ana Gomes, a dupla candidata à Câmara de Sintra e o Parlamento Europeu (já eleita), que na véspera afirmara dispensar “lições de moral” de Manuel Alegre, o ex-candidato presidencial afirmou que não pretende “dar lições de moral a ninguém”. Depois de ter defendido que Ana Gomes e Elisa Ferreira deviam optar entre o Parlamento Europeu e as suas candidaturas autárquicas, Alegre acrescenta agora que “é uma questão política, a questão moral é com elas”.
Antes do “vamos a isso” com que Sócrates fechou o discurso pré-eleitoral, já o líder parlamentar, Alberto Martins, tinha afirmado que o grupo parlamentar está “à altura das suas responsabilidades pra procurar uma vitória que é para o PS e para o país”. Mas nenhum dos dois teve uma só palavra para os combates autárquicos, apesar de haver na sala mais de uma dezena de candidatos a autarquias, agora impedidos de voltarem a ser deputados na próxima legislatura.


