Sócrates diz que Ana Jorge apenas advertiu os hospitais públicos sobre convenção com ADSE

08.05.2008 - 17:55 Por Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que a sua ministra da Saúde, Ana Jorge, apenas considerou escandalosa uma eventual não adesão dos hospitais públicos à convenção com a ADSE.
A resposta do primeiro-ministro surgiu na sequência de perguntas de três deputados do CDS-PP, que confrontaram José Sócrates com o facto de Ana Jorge ter lamentado pessoalmente o acordo entre o Hospital da Luz (que é privado) e a ADSE, tutelada pelo Ministério das Finanças.
José Sócrates fez outra interpretação das palavras proferidas pela sua ministra da Saúde e tentou o contra-ataque, acusando o CDS de "nada ter para dizer" e "fazer demagogia".
Segundo Sócrates, "a ADSE fixou um quadro ao qual podem aderir todos os hospitais" e, como tal, "não foi o Hospital da Luz que fez um contrato especial com a ADSE".
"O que a senhora ministra [da Saúde] quis dizer é que seria escandaloso que também os serviços públicos não aderissem a essa convenção com a ADSE", justificou, motivando gargalhadas em várias bancadas da oposição.
No debate da moção de censura do PCP ao Governo, José Sócrates foi também confrontado com uma questão do deputado social-democrata Adão e Silva, que defendeu a necessidade de um aumento intercalar das pensões para fazer face à actual subida da inflação.
O primeiro-ministro acusou Adão e Silva de "ignorância" em relação à actual Lei da Segurança Social, já que esta prevê que as pensões sejam actualizadas em função da inflação verificada no ano anterior.
"Com mudança introduzida por este Governo, os pensionistas não perdem poder de compra. Os pensionistas serão aumentados no final deste ano em função da inflação verificada", disse.
Pela parte da bancada do CDS-PP, Pedro Mota Soares confrontou o primeiro-ministro com o facto de os trabalhadores independentes não receberem em 2007 os respectivos abonos de família.
Na resposta, o primeiro-ministro acusou o Governo de coligação PSD/CDS de estar na origem do "problema" da ausência de pagamento de abonos de família a estes trabalhadores independentes.
"Uma das propostas deste Governo é que os trabalhadores independentes tenham a sua prestação em função do respectivo rendimento líquido e não ilíquido", declarou.

