Sócrates critica união civil registada por manter discriminação

08.01.2010 - 10:32 Por Sofia Rodrigues
O primeiro-ministro José Sócrates criticou hoje a proposta do PSD sobre união civil registada por não acabar com a discriminação. “Uma discriminação tanto mais ofensiva quanto, sendo quase inútil nos seus efeitos práticos, é violenta na exclusão simbólica, porque atinge pessoas na sua dignidade, na sua identidade e na sua liberdade”, disse Sócrates na apresentação da proposta do Governo sobre casamento entre homossexuais, no Parlamento.
O primeiro-ministro defendeu que a possibilidade de celebração civil entre pessoas do mesmo sexo “repara, de facto, uma injustiça”, reconhece “direitos a cidadãos a quem eram negados” e “abre novas oportunidades de realização pessoal”. “No fundo, esta lei apenas acaba com o sofrimento inútil”, acrescentou Sócrates, apelando aos deputados a aprovarem a proposta do Governo.
Sem surpresas, Sócrates justificou a impossibilidade de adopção por casais do mesmo sexo, expressa na proposta. “A adopção é uma questão totalmente diferente do casamento. Na adopção não está em causa realizar um direito de pessoas livres e adultas”, disse, considerando que o Governo apenas tem mandato para legislar sobre o casamento homossexual.

