Sócrates chamado a depor como testemunha no caso Cova da Beira 
07.05.2009 - 21:44 Por José António Cerejo
O rol de testemunhas entregue em tibunal nesta segunda-feira pela arquitecta Ana Simões, co-arguida no processo do aterro da Cova da Beira, é encabeçado por José Sócrates e João Cristóvão, um antigo dirigente do PS da Covilhã.
A indicação destas duas testemunhas assume uma importância particular, na medida em que os seus nomes estão desde o início ligados ao caso e são susceptíveis de possuir informação relevante para a descoberta da verdade.
Sócrates era secretário de Estado do Ambiente e foi, em 1996 o principal responsável político pelo lançamento do projecto do aterro. Cristóvão era assessor de Jorge Pombo, presidente da Câmara da Covilhã e da Associação de Municípios da Cova da Beira, dona da obra, havendo indícios nos autos de que teve contactos com Sócrates a propósito deste projecto.
Os dois nomes, juntamente com o de Pombo, aparecem nas cartas anónimas e nas inquirições informais que levaram à abertura do inquérito judicial, em 1999, como tendo recebido luvas para que a obra fosse adjudicada ao grupo liderado pelas empresas HLC e Conegil – controladas pelos empresários covilhanenses Horácio Luis de Carvalho e Carlos Manuel Santos Silva, amigo pessoal do primeiro-ministro e actual administrador do Grupo Lena.
Jorge Pombo chegou a ser arguido e a sua residência foi alvo de buscas, mas o procurador da República responsável pelo inquérito, Sérgio Pena, entendeu arquivar os autos no que lhe dizia respeito , em 2007, por considerar não ter sido reunida prova bastante para o acusar. Já no que respeita a Sócrates e a Cristóvão o procurador Helder Cordeiro rejeitou em 2003 o pedido da PJ para que fossem realizadas buscas nas suas casas e a parte dos autos que se lhes referia foi também arquivada em 2007.
Ana Simões, António José Morais (o professor de Sócrates na Univeridade Independente) e Horácio de Luis Carvalho vão ser julgados a partir de Outubro pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais relacionados com a adjudicação da obra ao grupo HLC.
Ana Simões, que sustenta ter sido usada por Morais, que era então seu marido e foi quem conduziu todo o processo, entendeu que Sócrates e Cristóvão tinham de ser chamados a depor. Falta agora saber se José Sócrates se servirá das suas prerrogativas de conselheiro de Estado para se recusara a testemunhar.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.

