Sócrates censura o aproveitamento político à custa da pobreza

18.12.2010 - 16:14 Por Margarida Gomes
Contra os políticos que “não resistem à exploração mais descarada da pobreza e das dificuldades do país”, o secretário-geral do PS, José Sócrates, disse hoje no encerramento das Jornadas Parlamentares socialistas, no Porto, que “o combate à pobreza impõe uma atitude discreta”.
“Eu sempre elogiei aqueles que com boa vontade se dedicam a ajudar o próximo. Mas aqueles que verdadeiramente têm a grandeza de pensar apenas no próximo, de pensar apenas no combate às dificuldades ajudando o seu semelhante, ajudando um compatriota, esses fazem-no de forma discreta, porque não precisam de nenhum louvor público”, declarou.
Numa óbvia alusão às palavras do Presidente da República, Cavaco Silva, José Sócrates mostrou-se indignado contra aqueles que fazem “aproveitamento à custa da pobreza” e disparou: “Nós fazemos tudo o que está ao alcance de um político para desenvolver políticas que reduzam as desigualdades, mas o que me indigna também é haver tantas vezes políticos que não resistem à exploração mais descarada da pobreza e das dificuldades do país e isso não é positivo”.
“Não é com o exibicionismo na luta contra a pobreza, apenas a pensar em rendimentos políticos, que nos devemos comportar”, afirmou, no encerramento das Jornadas Parlamentares do PS. Mas o secretário-geral do partido voltou à carga para dizer: “Não gosto de ver a pobreza como uma indústria da qual se pretende retirar dividendos políticos, porque “isso não é positivo para nenhum combate à pobreza”.
Aplaudido por diversas vezes pelos deputados, a quem deixou um elogio na pessoa do líder da bancada socialista, Francisco Assis, o secretário-geral congratulando-se com o facto de presidir a um Governo que em nenhum ano a pobreza conheceu qualquer aumento, o mesmo acontecendo, segundo revelou, com as desigualdades sociais.
À parte dos recados em torno da ética política, José Sócrates apontou, no âmbito da agenda política, as prioridades do Executivo, desde logo a consolidação orçamental. “E tudo aquilo que for necessário para que Portugal apresente esses resultados, o dever de um Governo patriótico é fazê-lo, não ficar à espera de gerir a sua popularidade ou ficar à espera de gerir aquilo que são os indicadores de intenções de voto”.
Outra prioridade destacada pelo líder do PS foi a defesa do Estado social através das medidas apresentadas pelo Executivo e que mereceram já críticas por parte do PSD. “Ouço por aí dizer, em particular o principal partido da oposição, que as medidas não vão ao fundo do problema, que são medidas que se limitam a responder à conjuntura. Eu bem os percebo, eu sei bem quais eram as medidas que eles aprovariam: as medidas que estão na revisão constitucional.” A sala aplaudiu uma vez mais as palavras de Sócrates que falou durante 50 minutos.
No último dia das jornadas, uma das mais participadas, nas palavras de um membro do gabinete de José Sócrates, a sala Appolo do Hotel Sheraton estava mais composta do que nos outros dias. Alguns deputados que não tiveram oportunidade de comparecer nos dois primeiros dias dos trabalhos acabaram por marcar presença hoje. Foi o que aconteceu com António José Seguro. Ana Paula Vitorino, Vera Jardim, Isabel Coutinho, Miguel França, Marisa Macedo, Maria de Belém foram alguns dos deputados que faltaram, mas todos justificaram a ausência.
Notícia corrigida às 18h15

