Sócrates aposta no investimento contra a humilhação e a marginalização do interior

11.01.2010 - 07:51 Por Maria Lopes
José Sócrates não quer que os jovens da geração dos seus filhos sintam que são "marginalizados" por viverem numa região com "humilhantes acessos rodoviários" e praticamente esquecida pelo poder. Por isso mesmo classificou ontem como uma questão de "justiça" o projecto de remodelação rodoviária da Concessão Pinhal Interior que abrange um total de 567 quilómetros de estradas - entre nova construção (173, dos quais 118 de auto-estrada), remodelação e conservação - em 22 concelhos da Zona Centro nos distritos de Leiria, Coimbra, Castelo Branco e Santarém.
"Dizem que esta concessão é um luxo. Mas qual luxo? Dos 567 quilómetros só 80 são auto-estrada nova", defendeu o primeiro-ministro. "Escândalo, escândalo é o facto de há 25 anos não se fazer um investimento rodoviário nesta região", fazendo com que "ficasse desprezada e até um pouco humilhada pelos investimentos feitos no resto do país", reforçou. Daí que, depois de "toda a vida ter visto a região do Pinhal ser esquecida", fazer esta adjudicação "significa que a minha vida política não foi em vão".
Antes do primeiro-ministro tinha sido o secretário de Estado adjunto das Obras Públicas a dar o mote para as críticas. Lembrou que "nenhum itinerário principal ou complementar da região está de facto concluído", que entre 2002 e 2005 os governos PSD "contrataram 200 quilómetros de novas estradas mas todos no litoral". E falou em números.
A concessão do Pinhal Interior representa a criação, durante três anos, de 4000 postos de trabalho, a redução dos tempos de ligação entre concelhos e cidades e da taxa de sinistralidade, e o impulso económico da região com a criação estimada de 4400 novos postos de trabalho a médio e longo prazo.
A obra foi adjudicada por 1,244 mil milhões de euros, o que representa "uma poupança de 29 por cento em relação aos valores inicialmente previstos", garantiu Paulo Campos. Porém, quando lançou o concurso, o Governo estimava que o custo total da obra seria de 772 milhões de euros. "Adjudicámos à empresa que nos apresentou a melhor proposta e a mais barata", assegurou o governante, prometendo: "Aqui não haverá nem revisão de preços nem trabalhos a mais". A concessão por 30 anos foi feita ao consórcio Ascendi, liderado pela Mota-Engil, presidida pelo socialista Jorge Coelho.
À tarde, a comitiva governamental visitou as escolas secundárias Domingos Sequeira e Francisco Rodrigues Lobo, no centro de Leiria, que estão a ser alvo de obras de ampliação, no valor global de 26,4 milhões de euros. Com a ministra da Educação, Sócrates aproveitou para anunciar que ainda este mês a Parque Escolar lançará os concursos para a terceira fase de intervenção com obras em 100 escolas.
Durante o segundo dia da iniciativa Governo Presente no distrito de Leiria, José Sócrates aproveitou para introduzir no discurso o conceito de "investimento de proximidade em nome da recuperação da economia" nas estradas na concessão e nas escolas - uma resposta à oposição que o acusa de preferir as grandes obras, dadas sempre a grandes construtoras.
A dramatização de discurso de Sócrates, por comparação com os elogios e a motivação que mostrou no sábado, não se limitou à cerimónia das estradas e estendeu-se à visita às escolas. "Há 10 mil portugueses que têm emprego porque nós lançámos estas obras. Há 2760 empresas ocupadas nestas obras. É ridículo considerar que são só as grandes empresas que ganham", afirmou Sócrates referindo-se às cerca de 400 obras que estão a decorrer em parques escolares por todo o país.

