• |
  • Iphone
  • |
  • Mobile
  • |
  • RSS
  • |
  • Twitter
  • |
  • Facebook
  • Siga-nos em:
  • João queria morrer sozinho, mas acabou por matar a filha
  • Haiti: Um terramoto de 500 anos - Paulo Moura, em Port au Prince
  • Envie-nos uma pergunta sobre um problema da sua rua, bairro ou cidade

Governo

Sócrates vai tentar governar ao centro na economia e à esquerda nas opções de vida

01.11.2009 - 08:22 Por São José Almeida

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Com o Governo constituído, a expectativa é agora a de saber até que ponto o programa de Governo, que amanhã será entregue, até às 19h, na Assembleia da República, irá conter novidades em relação ao programa eleitoral com que o PS liderado por José Sócrates se apresentou às legislativas.
Governar com menos base no Parlamento obriga Sócrates a ajustamentos tácticos Governar com menos base no Parlamento obriga Sócrates a ajustamentos tácticos (Adriano Miranda)

Sem que o executivo abra o jogo sobre o seu conteúdo, António Costa Pinto, investigador do ICS - Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, destaca em declarações ao PÚBLICO que "há continuidade programática e discursiva" no que o primeiro-ministro tem dito desde que foi eleito, pelo que não deverão surgir grandes alterações.

Costa Pinto admite que agora "o tom tem sido mais generalista" do que foi no arranque do primeiro Governo, fruto da maioria relativa. Mas sublinha que "Sócrates vai tentar conseguir a quadratura do círculo", precisando: "Por um lado, vai tentar fazer uma política económica de centro com discurso de esquerda e na área dos valores e das concepções de vida em sociedade vai fazer uma política mais à esquerda." E acrescenta: "É provavel que no primeiro ano tenha um discurso programático mais à esquerda do que em 2005, em que o tom era mais Terceira Via e mais Blair, por causa do combate ao défice."

A continuidade programática de Sócrates é admitida por André Freire, investigador do ISCTE - Instituto Superior das Ciências do Trabalho e das Empresas, até porque, destaca "as reformas já foram feitas e o combate à crise e ao desemprego já vem de trás". Freire sublinha que "as mudanças são-no ao nível do discurso" porque se "percebeu que as pessoas querem mais negociação e mais diálogo" e porque "as condições políticas obrigam a isso".

Mais Sócrates

Mas se o tom poderá parecer mais cordato, o novo Governo não tem mais peso partidário do que o anterior. O que há é um maior peso da figura de Sócrates e do seu núcleo pessoal de poder, defende Marina Costa Lobo, investigadora do ICS.

Comparando o actual Governo com o anterior, esta investigadora defende que o Governo é "mais Sócrates e não mais PS", já que o peso da direcção do partido é o mesmo. O que aumenta, diz, é a presença de pessoas que são da confiança pessoal do primeiro-ministro.

José Almeida Ribeiro, Pedro Lourtie e Óscar Gaspar, "membros que integravam o gabinete de Sócrates, sobem a secretários de Estado", lembra Marina Costa Lobo, defendendo que resta agora esperar para ver o que acontece no próximo Congresso do PS. Um conclave que, pelos calendários normais, só acontecerá daqui a ano e meio. Mas esta politóloga questiona se não haverá antecipação e se "nesse próximo congresso Sócrates não irá puxar novos membros do Governo à direcção do partido".

PS com peso igual

Por agora, explica, o peso do PS é o mesmo do anterior Governo. Já que dos dirigentes do núcleo de direcção, ou seja, dos membros do Secretariado, sai do Governo Ana Paula Vitorino, que era secretária de Estado dos Transportes, mas entra Marcos Perestrello, que é secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. E do mesmo órgão de direcção partidária permanecem no Governo Santos Silva, Luís Amado, Vieira da Silva, Pedro Silva Pereira e Idália Moniz.

Neste domínio de análise, André Freire sublinha que há também um "importante reforço político da continuidade da direcção do partido". Como exemplo, aponta o caso de "Santos Silva, que é promovido a ministro da Defesa pelas funções políticas que desempenhou e não por possuir um pensamento técnico sobre Defesa Nacional". Este investigador vê também como uma promoção a passagem de Vieira da Silva do Trabalho para a Economia, recebendo a gestão dos fundos comunitário e do QREN.

Freire considera ainda que "os ministros políticos mantêm e adquirem um papel mais político, o que é expectável, pois o Governo precisa de mais política". No mesmo sentido vai o historiador José Medeiros Ferreira, para quem este Governo "é de acumulação de poder político do primeiro-ministro, já que "ninguém sabe o que valerão os tecnocratas" e "não há ninguém no Governo que lhe faça sombra política". Este antigo deputado e ministro do PS lembra que "o reforço de poder pessoal de José Sócrates no partido é matizado pela maioria relativa".

Também António Costa Pinto considera que "o núcleo duro do partido mostra que Sócrates já tem os seus dirigentes e a sua elite restrita, o que não tinha em 2005". Mas alerta para o facto de isso ser imposto pela maioria relativa, já que "com coesão pode evitar a dissidência".

Menos diversidade

Este fechar sobre si mesmo, que Costa Pinto salienta de forma positiva, é considerado de forma negativa por Marina Costa Lobo. "Neste Governo não há inclusão de diversidade, como seria o caso, por exemplo, de chamar a ministro António José Seguro". E alerta que "não há a diversidade de sensibilidades que reflictam a tomada de consciência do diálogo com o partido".

Esta investigadora frisa ainda que "os independentes, pela sua própria condição de independentes, nunca podem ter peso político", sendo que os escolhidos por Sócrates nem sequer têm "visibilidade". Costa Pinto acrescenta neste aspecto que, se "em 2005 houve preocupação em renovar a elite governativa, agora há nomes novos mas não houve mobilização". Isto porque "não vai buscar independentes de grande peso", pelo que estes "não têm o mesmo lugar relativo que tinham em 2005".

O pouco peso político e dos tecnocratas é também destacado por Freire, para quem o facto de a ministra do Trabalho vir do sindicalismo é apenas uma questão de "simbolismo", pois "ela é autora da moção de Sócrates ao congresso do PS e não vai romper com a continuidade, não vai por exemplo rever o Código Laboral, nem acabar com o trabalho precário".

  • 3737 leitores
  • 125 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1407758

Comentário + votado

Não brinquem com a instituição!!

Socrates esse grande beifiquista!! Ele é cursos de beifiquismo, ele é tours no Centro ...

Balbino Zurbino

01.11.2009 18:32

Comentar Critérios para publicação de comentários dos leitores

Restam 1200 caracteres

Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.

Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.