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Combater desemprego é o objectivo para 2009 diz primeiro-ministro

Sócrates afirma que combate à crise obriga Governo a ultrapassar ortodoxias

09.01.2009 - 21:10 Por Lusa

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Sócrates defende que é preferível actuar do que ficar parado Sócrates defende que é preferível actuar do que ficar parado (António Carrapato (arquivo))
O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje que o Governo necessita de ultrapassar todas as ortodoxias para combater a crise e comparou as políticas anunciadas em Portugal com aquelas que o Presidente eleito norte-americano, Barack Obama, anunciou para os Estados Unidos.

"A forma de lidar com a crise tem de vencer todas as ortodoxias. É uma situação nova que exige respostas novas", afirmou José Sócrates, que falava no Europarque de Santa Maria da Feira numa cerimónia de assinatura de protocolos para criação de um novo regime de seguro de crédito.

Segundo Sócrates, o que foi feito para estabilizar o mercado financeiro “não foi feito a pensar num banqueiro ou accionista mas sim nas empresas, na economia, nos consumidores e trabalhadores, para que tenham emprego", acrescentando que estas medidas vão ajudar a minimizar o problema.

Em relação às linha de crédito, Sócrates responde aqueles que acusam de estas não cobrirem tudo, nem garantiram créditos a todas as empresas, mas que “fizeram-no a muitas cuja situação elas ajudaram a resolver". A estratégia do Governo para enfrentar a crise, afirmou o primeiro-ministro, já está definida e passa por dois pontos fundamentais: "Estabilizar o sistema financeiro, o que está longe de ser conseguido em termos internacionais", e "apoiar as empresas, estar com elas"

Objectivo para 2009: combater o desemprego

Segundo o líder do Partido Socialista, “quem lidera deve estar na frente de batalha, não na retaguarda. Um erro que o Governo não pode cometer é estar parado. Quem faz alguma coisa pode cometer erros e corrigi-los. Mas o pior dos erros é não fazer nada”.

O primeiro-ministro enunciou as várias medidas adoptadas nas últimas semanas para ajudar a combater o desemprego, desde a inserção de 30 mil desempregados no mercado social de trabalho até às alterações no Pagamento Especial por Conta e à redução, em três pontos percentuais, nas contribuições das empresas com menos de 50 trabalhadores relativas aos funcionários com mais de 45 anos.

"Em 2009, haverá uma confluência de todas as políticas públicas num objectivo: combater o desemprego", disse. José Sócrates garantiu que o Governo irá usar "toda a sua margem de manobra orçamental para apoiar as empresas e o emprego" e reafirmou que o aumento do investimento público "é determinante", apontando o caminho que os restantes países desenvolvidos estão a seguir.

"Por todo o mundo, os governos estão a apresentar programas de investimento público. Ainda ontem vi o Presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, a anunciar um programa de investimento público. E aonde, adivinhem? Isso mesmo, nas escolas e na energia. Parece-vos familiar? Sim, com aquilo que estamos a fazer aqui", disse.

Com os protocolos assinados hoje entre o Governo e as seguradoras que actuam no mercado português, as empresas nacionais passam a ter acesso a um novo regime de seguros de crédito à exportação no valor total, ainda que faseado, de quatro mil milhões de euros.

O novo regime foi anunciado no Conselho de Ministros de 13 de Dezembro, que aprovou o conjunto de iniciativas para o investimento e o emprego com o objectivo de ajudar a economia a enfrentar a actual situação de crise.

Os quatro mil milhões de euros repartem-se em duas partes iguais: metade para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a outra metade para os restantes. Este novo regime de seguro de crédito visa fazer frente à contracção ocorrida nos plafonds ao nível dos seguros de crédito das seguradoras a operar no mercado português, dado o aumento do risco comercial e político criado pela crise internacional.

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