Sócrates acusa PSD de ter deixado "situação social muito desequilibrada"

27.05.2008 - 19:13 Por Lusa
O primeiro-ministro reconheceu hoje o "momento de dificuldade" que Portugal atravessa manifestando "total compreensão" pelos problemas que afectam a população, mas recordou a "situação social muito desequilibrada" deixada pelo PSD.
"É um momento de dificuldade que Portugal enfrenta, que todos os países da Europa enfrentam", admitiu o primeiro-ministro e secretário-geral geral do PS, José Sócrates, no discurso de encerramento das jornadas parlamentares socialistas, que decorreram em Angra do Heroísmo, nos Açores.
Sublinhando que "é justamente nos momentos de dificuldade que é preciso mais firmeza no rumo", José Sócrates recusou ceder "à facilidade ou à demagogia", apesar de manifestar a sua "total compreensão" por problemas como a alta do preço do petróleo, que provoca aumentos nos preços dos combustíveis.
Mas, acrescentou, "o dever do Governo é utilizar a margem de manobra que consegue para ajudar os sectores mais frágeis", mantendo "o rumo" traçado.
Ainda a propósito das dificuldades que o país está a atravessar, o primeiro-ministro recordou que nunca teve um "período de governação que fosse fácil e simples", garantindo estar "habituado às dificuldades".
Numa parte do seu discurso onde argumentou sobre as medidas que o Governo tem vindo a tomar para combater as desigualdades, reiterando que essa é uma "questão vital para os socialistas", José Sócrates atacou os partidos mais à direita, em especial o PSD.
Lembrando o relatório da União Europeia divulgado a semana passada sobre a situação social em Portugal, José Sócrates acusou "algumas forças políticas" de tudo terem feito para esconder que se tratava de um documento baseado em dados de 2004.
"A direita não hesitou em explorar o relatório que era na verdade uma verdadeira sentença em julgado da sua própria governação", sublinhou, considerando que se tratou de uma atitude do "máximo descaramento".
Ou seja, continuou, quando o Governo tomou posse, não só enfrentou o problema de défice excessivo, como também encontrou uma "situação social muito desequilibrada".
"Foram três anos de governação orientados pelo rigor, para pôr as contas públicas em ordem, mas o Governo sempre teve a possibilidade de canalizar recursos financeiros para minorar as desigualdades e acudir os grupos mais frágeis", declarou.
Num discurso de mais de 40 minutos, José Sócrates rejeitou ainda a proposta dos sociais-democratas para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixe de ser universal e gratuito, sublinhando que se trata de um sistema que representa uma "arma contra as desigualdades".
"Queremos um SNS que sirva todos por igual, que todos tenham acesso ao mesmo", referiu.
Igualmente posta de parte, acrescentou, está a privatização de parte da Segurança Social, também defendida pelo PSD.
"Querem um regime social obrigatório privado, criar um limite a partir do qual as contribuições sejam entregues para os caprichos da bolsa", criticou, insistindo na necessidade de uma "segurança social pública, mas eficiente, ao serviço da igualdade".

