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Debate sobre o estado da Nação

Sócrates aconselha "tento na língua" a Louçã

10.07.2008 - 21:28 Por Lusa

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O líder bloquista garantiu que defenderá sempre a liberdade de expressão ao contrário do primeiro-ministro O líder bloquista garantiu que defenderá sempre a liberdade de expressão ao contrário do primeiro-ministro (Carlos Lopes (arquivo))
O líder do Bloco de Esquerda (BE) protagonizou hoje um momento tenso do debate do estado da Nação, com José Sócrates a aconselhar "tento na língua" a Francisco Louçã por insinuar que o Governo "anda de mão dada" com ladrões. A polémica começou por Francisco Louçã criticar a taxa Robin dos Bosques sobre os lucros especulativos de 25 por cento, criticando que as petrolíferas fiquem com três quartos "da especulação".

Para o deputado e coordenador da comissão permanente do BE, a história do Robin dos Bosques, com o Governo de Sócrates, sofreu uma "operação de mágica" e explicou porquê. "É que o Robin dos Bosques não se juntava com os ladrões dos castelos: 100 milhões para mim, 300 milhões para ti. O senhor quer cobrar um quarto do lucro especulativo", reclamou. "Pagando um quarto do lucro especulativo, a GALP, a Repsol, a BP podem ficar com três quartos. É inaceitável", criticou ainda Louçã.

O deputado bloquista atacou alguns grandes negócios - parcerias publico-privadas" nas barragens - com a "Iberdrola de Joaquim Pina Moura" e "a EDP de António Mexia" que vão ficar com concessões.

Na resposta, e durante vários minutos, o primeiro-ministro, José Sócrates, criticou Louçã pela forma como se referiu a pessoas como Pina Moura. "O senhor deputado acha que pode insultar toda a gente? Acha que lhe fica bem?", questionou, afirmando que "não pode chamar ladrões às pessoas". "O senhor tenha contenção, tenha tento na língua", aconselhou o primeiro-ministro. "Para ganhar um debate não precisa de insultos", concluiu.

Na resposta, Louçã disse que jamais irá ficar por dizer o que pensa, no Parlamento, e prometeu defender a liberdade de expressão de José Sócrates "se alguém" vier a aconselhar "tento na língua" ao primeiro-ministro.

Arma dos fracos

"O insulto é a arma dos fracos", respondeu ainda o chefe do Governo. José Sócrates corrigiu Louçã, dizendo que, quanto às barragens, não "parcerias publico-privadas", mas que o Estado lançou um concurso para a utilização do domínio hídrico.

Na sua intervenção, o deputado bloquista lembrou José Sócrates nunca se referiu ao desemprego, e mostrou um gráfico para demonstrar que o desemprego é hoje maior (434 mil desempregados) do que em 2005, quando chegou ao Governo (412 mil). Com o Governo do PS, exemplificou, existem hoje mais 200 mil pessoas com trabalho precário, por exemplo, acusando os socialistas de fazerem "o maior ataque de sempre aos direitos dos trabalhadores" com a alteração do Código do Trabalho. "Quando as coisas começam a correr mal, a sua resposta é: a culpa é de fora, a culpa não é nossa. Dá-nos a demonstração de pouca responsabilidade", acusou.

Madeira Lopes, deputado do Partido Ecologista "Os Verdes", considerou que "o país vive hoje pior" e "sem almofadas" relativamente à crise internacional em resultado das políticas do Governo de Sócrates. Na sua intervenção, o deputado dos Verdes criticou ainda o plano nacional de barragens e a adopção de vários PIN (Plano de Interesse Nacional) a projectos na costa portuguesa.

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Pobres, Ricos e Ladrões!?

Segundo uma antiga mas sábia citação: -Não basta à mulher de César ser séria. Deve também parecer. ...

Gilberto Edgar dos Santos

12.07.2008 19:11