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Entrevista à TVI

Sócrates à boleia do apelo de Cavaco deseja acordo com PSD

26.04.2011 - 21:31 Por Luciano Alvarez, Nuno Simas

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José Sócrates voltou a afirmar que nunca desejou a ajuda externa José Sócrates voltou a afirmar que nunca desejou a ajuda externa (Miguel Manso (arquivo))
Foi no primeiro minuto da entrevista a Judite de Sousa na TVI que José Sócrates deixou esta noite cair, em tom suave, um apelo ao entendimento pós-eleitoral com o PSD. Mas disse mais, numa conversa de 30 minutos em que confessou ter tentado adiar o pedido de ajuda externa para que fosse feito por um Governo já legitimado pelas eleições.

O primeiro-ministro e líder do PS associou-se ao discurso do 25 de Abril de Cavaco Silva e dos três ex-Presidentes no apelo ao consenso. A ponto de ter confessado que acha “possível e desejável um entendimento” com o PSD e Pedro Passos Coelho – que estiveram no centro dos ataques do PS e do Governo por terem chumbado o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV e com quem Sócrates tem relações muitos tensas.

Primeiro, o líder socialista não só compreende como concorda com o apelo dos ex-presidentes, “pessoas bem intencionadas e preocupadas com o país”. Hoje, “mais do que nunca”, Portugal “precisa que os partidos políticos preservem as relações entre si com vista a definirem áreas de consenso”.

“Um entendimento com Passos Coelho?”, pergunta a jornalista. A resposta foi clara: “Eu acho possível e desejável um entendimento entre PS, PSD e outros partidos que se disponham a cooperar para definir áreas que possam servir de referência para resolver os problemas do país”.

O primeiro minuto da entrevista não acabou sem Sócrates confessar que “nunca como hoje foi tão necessário um consenso e a negociação.”

Um diálogo tão necessário que Sócrates diz ser possível ultrapassar “questões pessoais” para falar com “qualquer que seja o líder do PSD”. Uma atitude diferente daquela que, “com mau gosto”, os sociais-democratas têm, com Passos Coelho a dizer que não estaria disposto a acordos com Sócrates.

De resto, na entrevista, na residência oficial de São Bento, o chefe do Governo explicou uma e outra vez que fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar o resgate europeu e disse por que motivo o fez a 6 de Abril. Foram não só os juros tinham “subido muito”, mas quando percebeu os riscos a que o país estava a expor-se dado que os bancos “já tinham dificuldade em financiar-se junto do Banco Central Europeu”.

Até à altura em que, mais uma vez culpou a oposição por ter criado uma crise política, com o “chumbo” do PEC IV, Portugal tinha esse instrumento para evitar o recurso a essa ajuda. “Deitaram-no fora”, disse por duas vezes.

No capítulo da ajuda externa, José Sócrates insistiu na necessidade de um entendimento com o PSD e o CDS-PP, dado que o Governo está em gestão, e colocou de fora um envolvimento directo do Presidente nas negociações com a troika nem que seja chamado a rubricar um acordo. Era bom que Cavaco Silva “fosse colocado acima disto tudo”. Uma preocupação evidente do primeiro-ministro foi desvalorizar as “especulações” nos jornais sobre as medidas que estarão a ser negociadas.

Por fim, Sócrates desdramatizou a saída das listas do PS dos ministros Teixeira dos Santos e Luís Amado, rejeitando “qualquer significado especial”. Assim como o de Jaime Gama, que quis afastar-se um pouco da vida política. Teixeira é e será seu amigo “para toda a vida”, disse, para negar divergências com o seu ministro.

Na última questão da entrevista, Judite de Sousa perguntou a José Sócrates se pretende usar a família na campanha eleitoral. A resposta saiu à velocidade de uma bala. “Não é o meu género. Sempre tentei proteger a minha família”, afirmou, salientando que não critica que outros o façam.

Recentemente, o líder do PSD, Passos Coelho, deu algumas entrevistas na companhia da mulher às chamadas revistas cor-de-rosa.

A entrevista a Judite de Sousa ficou ainda marcada por um facto insólito. Tendo a entrevista decorrido numa sala da residência oficial do primeiro-ministro, em que as janelas estavam abertas, a conversa foi sempre acompanhada pelo “cantar” dos pavões dos jardins de São Bento.

Notícia actualizada às 23h19

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A bem da nação

Já o sabíamos.São saco da mesma farinha.Sócrates governou sozinho, satisfazendo a direita e ...

Tomás Guevara

26.04.2011 21:59

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