Socialista Vitalino Canas aponta o PSD como destinatário das palavras de Cavaco

06.09.2010 - 13:16 Por Lusa
O socialista Vitalino Canas apontou hoje o PSD como o principal visado das declarações do Presidente da República (PR), Cavaco Silva, que defendera a necessidade dos partidos negociarem a viabilização do Orçamento do Estado (OE).
“Creio que as palavras do PR, embora do ponto de vista formal se enderecem a todos os partidos com assento parlamentar, têm sobretudo um destinatário, que é o PSD. Foi o PSD quem mais dramatizou a possibilidade de uma crise política em torno de uma eventual não viabilização do orçamento de 2011”, afirmou o deputado socialista, reagindo às declarações do Chefe de Estado a propósito do Orçamento OE-2011.
No domingo, no decorrer de uma visita ao concelho de Sernancelhe, em Viseu, o Presidente da República sublinhou a necessidade de haver uma negociação entre os partidos, para se alcançar um compromisso que possibilite a viabilização orçamental.
“Qualquer PR deve ter um papel moderador ao nível do debate político. No que diz respeito ao orçamento, esse papel moderador é certamente bem-vindo, tendo em conta o que se verificou a partir de meados de Agosto, quando o PSD decidiu dramatizar excessivamente as questões relacionadas com o orçamento”, afirmou Vitalino Canas, recordando que o líder do maior partido da oposição, Pedro Passos Coelho, ameaçou inviabilizar o OE, caso não fosse aceites algumas condições.
“Foi o PSD que quis fazer uma espécie de ultimato, estabelecendo condições imperativas para poder viabilizar o orçamento, sendo que algumas dessas condições o país não pode aceitar, tendo em conta os compromissos internacionais que existem e que foram assumidos através do Plano de Estabilidade e Cumprimento”, acrescentou.
O deputado socialista declarou ainda que o PSD “não poderá ignorar” as palavras de Cavaco Silva, sob pena do PR ser “muito desautorizado”. Assim, aconselhou o líder social-democrata a “pensar muito bem”.
Ainda durante a visita que fez ao distrito de Viseu, Cavaco Silva afirmou não existir motivos que impossibilitem um acordo entre os partidos.
“A aprovação de um orçamento envolve sempre uma negociação e eu já invoquei a minha própria experiência”, concluiu, lembrando que teve de “negociar um orçamento com vários partidos políticos”, na altura em que ”presidia a um Governo minoritário”.

