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Manifesto

Mário Soares apela à mobilização dos cidadãos de esquerda

23.11.2011 - 00:06 Por Margarida Gomes

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Soares encabeça texto que manifesta preocupações sobre o rumo que está a ser tomado na UE e Portugal Soares encabeça texto que manifesta preocupações sobre o rumo que está a ser tomado na UE e Portugal (Foto: Daniel Rocha/arquivo)
Mário Soares, Pedro Adão e Silva, Joana Amaral Dias, Medeiros Ferreira, Vasco Vieira de Almeida, entre outras personalidades, tornam hoje público um manifesto em que apelam “à mobilização dos cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise”.

Em véspera da greve geral, o documento defende que "não podemos saudar democraticamente a chamada 'rua árabe' e temer as nossas próprias ruas e praças."

“Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia”, afirmam os nove signatários do documento, entre os quais Isabel Moreira, filha de Adriano Moreira, Pedro Delgado Alves, líder da JS, ou Vasco Vieira de Almeida.

Denominado "Um Novo Rumo", o manifesto faz referência aos “obscuros jogos do capital podem fazer desaparecer a própria democracia, como reconheceu a Igreja” e alerta para “a multidão de aflitos e de indignados que existe entre nós que espera por uma alternativa inovadora que só a esquerda democrática pode oferecer”.

O documento denuncia ainda que “há muita gente aflita entre nós: os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores cada vez mais precários, a juventude sem perspectivas e empurrada para emigrar” e insurge-se contra a “imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso”. Ao mesmo tempo, adverte que algumas das empresas públicas a privatizar “têm uma importância estratégica fundamental para a soberania”.

Os nove subscritores do manifesto dão nota do “recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação protecção social e dignidade no trabalho”, considerando-o “inaceitável”. E opõem-se “a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia”. E é nesse sentido que apelam “à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideias e à sua mobilização na construção de um novo paradigma”.

A Europa está também no centro das suas preocupações. Os autores do manifesto, que será tornado público precisamente no mesmo dia em que Portugal cumpre pelo segundo ano consecutivo um dia de greve geral, advogam relativamente à Europa a necessidade de se “encontrar um novo paradigma para a União Europeia”. E perante um “momento tão grave como este”, consideram “decisivo promover a reconciliação dos cidadãos com a política (...)”.

Segundo o texto, “(...) a destruição e o caos que os mercados financeiros mundiais têm produzido nos últimos tempo são inquietantes para a liberdade e para a democracia. O recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência”.

Para além de Mário Soares, que é o primeiro subscritor, assinam este manifesto Isabel Moreira, Joana Amaral Dias, José Medeiros Ferreira, Mário Ruivo, Pedro Adão e Silva, Pedro Delgado Alves, Vasco Vieira de Almeida e Victor Ramalho.

Notícia substituída às 7h47: Novo texto que já inclui citações do conteúdo do manifesto.

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