Silva Carvalho apresenta queixa-crime por violação de correspondência

28.07.2011 - 17:34 Por Maria José Oliveira
Nuno Morais Sarmento, advogado do ex-director do SIED, entregou esta tarde na Procuradoria-Geral da República, uma queixa-crime contra desconhecidos por violação da conta pessoal de email de Jorge Silva Carvalho.
Depois de o antigo chefe do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, ter afirmado, em entrevista ao Diário de Notícias, que a notícia do Expresso sobre alegadas fugas de informação para a Ongoing indica que foram praticadas “actividades ilícitas”, Nuno Morais Sarmento, representante legal de Silva Carvalho, entregou esta tarde uma queixa-crime contra desconhecidos por violação de correspondência privada.
O processo deu entrada na Procuradoria-Geral da República e Morais Sarmento explicou ao PÚBLICO que não foram explicitados os conteúdos que terão sido retirados da conta pessoal de email de Silva Carvalho. “Não sabemos o que é que o Expresso tem em seu poder”, sustentou. “Através de datas e destinatários conseguimos perceber que alguém acedeu, indevidamente, a uma conta pessoal de email, conheceu o conteúdo de correspondência privada e deu conhecimento disso, seja lá o que isso for, a outros”, afirmou Morais Sarmento.
O advogado disse ainda que a queixa-crime foi “cuidadosamente feita para separar alhos de bugalhos”, referindo que, em algum momento, há alusões ao eventual fornecimento de informação de Silva Carvalho à Ongoing, numa altura em que ainda dirigia as “secretas”.
Na sequência do inquérito que será feito pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária, “poderá saber-se quem acedeu e o que se passou”, acrescentou Morais Sarmento.
Em entrevista ao Diário de Notícias, Silva Carvalho admitiu ter transmitido informações à Ongoing, empresa para a qual foi contratado após sair do SIED, embora não tenha concretizado quais os dados que transmitiu ao grupo liderado por Nuno Vasconcellos. E negou ter cometido qualquer irregularidade: “Tudo foi feito dentro da lei, registado, documentado, com autorização superior.”

