Seguro tem apoio da maioria dos líderes das distritais do PS

12.06.2011 - 15:54 Por José Augusto Moreira, Filomena Fontes
Assis tenta travar vantagem de Seguro e conta com António Costa para conquistar as bases. A sucessão de Sócrates pôs o PS num frenesim.
Em três dias, o frenesim disparou no PS. Depois da despedida de José Sócrates, apenas a gestão da herança parece dividir apoios entre os candidatos à sucessão. Francisco Assis vai para a estrada já para a semana e promete percorrer o país inteiro, numa aproximação às estruturas locais em contra-relógio. E vai contar na campanha com o apoio de António Costa, que poderá ser proposto por Assis e pelos seus apoiantes para presidente do partido. Olhando para o futuro.
Com um trabalho de campo junto dos militantes encetado à distância, António José Seguro conseguiu, de um dia para o outro, pôr a maioria dos líderes distritais a produzirem declarações públicas de apoio à sua candidatura. Em catadupa. Mais do que colher apoios, que na sua maioria estariam já garantidos, a estratégia terá sido a de barrar caminho à entrada da candidatura de Assis. Os dois têm um mês para fazer valer os seus argumentos. E conquistar votos.
Das 21 federações socialistas, os presidentes de 11 anunciaram que querem ver Seguro como secretário-geral, enquanto Assis reuniu, para já, o apoio declarado de três. Das restantes, quatro (Açores, Viseu, Guarda e Castelo Branco) dizem estar ainda em período de reflexão e as outras três (Madeira, Portalegre e Vila Real) não se manifestaram ainda. Tentando suster a investida de Seguro, as tropas de Assis chamam a atenção para o facto de Lisboa e Porto poderem representar cerca de 40 por cento do universo eleitoral, o que significaria, portanto, que ainda há muita água para correr antes do desfecho eleitoral.
O certo é que mesmo no Porto, a distrital de onde Assis é originário, as hostes estão divididas. José Luís Carneiro, ex-chefe de gabinete de Assis e que lhe é muito próximo, fez questão de assumir já publicamente o apoio a António José Seguro. Disse querer "honrar um compromisso de apoio a alguém que deseja que o PS volte a trazer a esperança num futuro melhor para todos os portugueses".
Mas a questão parece cruzar-se com a divisão resultante das últimas eleições na federação portuense, às quais se apresentou. Então, Carneiro perdeu para Renato Sampaio, um dos principais estrategas da candidatura de Assis, mas garantiu mais de 40 por cento dos votos. O seu grupo, que se tem assumido como oposição, esteve reunido na noite da apresentação da candidatura de Assis e, ao que o PÚBLICO apurou, mostrou-se maioritariamente partidário do projecto protagonizado por António José Seguro.
A gestão da herança
Ao lado de Assis, está Capoulas Santos, o presidente da distrital de Évora. Entende que "é o candidato que está em melhores condições políticas para liderar o partido no novo ciclo". Convencido de que a escolha do futuro líder não encerra qualquer confronto ideológico, entende que "Francisco Assis tem uma concepção do PS mais virada para o futuro, sem renegar o passado", enquanto Seguro "tem uma posição de ruptura mais assumida".
Com Seguro, está Vítor Ramalho, o histórico "soarista" que lidera a Federação de Setúbal e que define "a clarificação de um ideário e de um rumo de marcha que não se confunda com outro partido" como a prioridade maior para o sucessor de Sócrates. Para isso, sustenta, "Seguro está em melhores condições do que Assis", lembrando que tem "experiência governativa séria, parlamentar muito grande, europeia e partidária - um percurso muito plural que lhe deu uma coerência e uma afectividade com os militantes muito grande".
Recusando a ideia de que de um lado está a ruptura e do outro a evolução sem sobressaltos, Mário Ruivo, que lidera a Federação de Coimbra, diz que "é um erro pensar-se que um candidato segue a liderança de José Sócrates e o outro a ruptura". "António José Seguro dá garantias de diversidade de pensamento e de uma liderança focada na unidade do partido", defende.

