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Seguro quer antecipar apoios da UE para agricultores por causa da seca

24.02.2012 - 18:06 Por Lusa, PÚBLICO

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Seguro falou também da “dupla penalização” do interior face ao acesso à saúde Seguro falou também da “dupla penalização” do interior face ao acesso à saúde (Pedro Cunha)
O secretário-geral do PS, António José Seguro, reclamou nesta sexta-feira medidas do Governo para ajudar os agricultores afectados pela seca.

“Chegou a altura de tomar a iniciativa”, considerou, preconizando a antecipação de parte dos apoios da União Europeia (UE) a que o sector tem direito este ano. O líder da oposição falava em Miranda do Douro, distrito de Bragança, no âmbito da primeira jornada do “Roteiro em Defesa do Interior”.

“O problema da seca resolve-se com atitudes e medidas políticas, chegou a altura do Governo tomar a iniciativa”, sublinhou Seguro: “Basta conseguir que os agricultores beneficiem da ajuda a que têm direito”. Assim, o dirigente socialista preconizou que dos 600 milhões de euros da UE sejam colocados de imediato ao dispor dos agricultores 450 milhões, em vez do montante global só estar disponível no final do ano. “Não chover não é responsabilidade do Governo, mas o problema também não se resolve dizendo que há fé que vai chover nos próximos dias”, disse o secretário-geral do PS, numa referência a declarações recentes da ministra da Agricultura, Assunção Cristas.

Relativamente à solicitação feita por algumas organizações agrícolas da suspensão do pagamento das contribuições obrigatórias para a Segurança Social, António José Seguro afirmou preferir a antecipação das ajudas comunitárias. Bragança é um dos distritos mais atingidos pela seca que afecta, sobretudo, o sector agro-pecuário, devido à falta de pastos naturais para os animais.

Em Miranda do Douro, o dirigente socialista referiu-se também ao que considerou a “dupla penalização” do interior face ao acesso à saúde. “Existe uma dupla penalização porque, como sabemos, as taxas moderadoras aumentaram exageradamente e as pessoas que vivem no interior têm de pagar ainda mais e, muitas vezes, mais do que a própria taxa moderadora devido aos custos dos transportes”, sublinhou. Seguro lembrou que o memorando da troika, “que tantas vezes é utilizado para exigir sacrifícios aos portugueses, fala na racionalização com o objectivo de não se diminuir a qualidade da prestação dos serviços públicos”.

“Viver no interior é muito difícil”, constatou no início de uma semana de visitas aquelas zonas do país, com o objectivo de “ter um conhecimento mais aprofundado das regiões” e propiciar o que definiu como “um novo olhar”. Atitude que, enfatizou, “não passa por políticas de encerramento, extinção ou deslocação de serviços, colocando áreas tão importantes como a saúde ou a justiça distantes das pessoas”. O “Roteiro em Defesa do Interior” dos socialistas culmina no sábado, 3 de Março, com a celebração de uma conferência nacional sobre a “Defesa do Interior”.


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