• A terra treme em Itália
  • Eles desafiam os limites do corpo
  • Há nova velha taberna no coração alfacinha

Seguro justifica “oposição construtiva”, mas partido exige-lhe mais firmeza

05.02.2012 - 20:50 Por Nuno Sá Lourenço

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
Líder do PS enfrentou críticas mas também respondeu a quem lhe exige mais firmeza Líder do PS enfrentou críticas mas também respondeu a quem lhe exige mais firmeza (Foto: Daniel Rocha)
A oposição que faz é a que o acordo da troika lhe permite. Ainda por cima um acordo não assinado por ele, mas por alguns dos que agora o criticam. Foi esta a mensagem que o secretário-geral do PS, António José Seguro, endereçou neste domingo aos críticos que se fizeram ouvir na Comissão Política Nacional, realizada em Évora.

No segundo encontro do principal órgão do partido entre congressos após a eleição de Seguro, o actual secretário-geral viu-se forçado a explicar a sua conduta enquanto líder da oposição. Confronta o Governo de forma “construtiva” porque a situação do país exige uma “oposição responsável e honesta”. Até porque os portugueses não aceitariam um “discurso diferente” do partido que assinou o acordo da troika quando era Governo.

Foi precisamente através do memorando que o secretário-geral contra-atacou os críticos da sua liderança. “Não assinei o memorando, não concordo com parte das medidas que nele constam, mas honrarei o compromisso do PS.” E numa resposta aos seus detractores – que cola aos apoiantes de José Sócrates – destacou a hipocrisia que, no seu entender, representava ser criticado por quem negociara o acordo e agora o atacava por agir de forma a cumprir o assinado.

A ouvir Seguro estavam membros do anterior Governo de José Sócrates, como por exemplo, Pedro Silva Pereira, Vieira da Silva, ou Jorge Lacão. Ao longo do dia, várias intervenções davam a entender insatisfação com a forma como o PS faz oposição ao Governo. O líder teve de ouvir alguns dos comissários dizerem que o PS “tem de ser mais firme”, “mais eficaz” no combate ao Governo de direita.

À saída do encontro, Seguro frisou o compromisso do PS com o acordo mas reconheceu não concordar com “partes”, dando como exemplo a privatização da REN. “Todas as redes em Portugal devem ser propriedade pública”, rematou.

Além disso, pouco mais. À tarde, antes destas declarações, numa pausa do encontro, limitara-se a aconselhar a gastronomia da região: “Évora é uma cidade fantástica, tem uma gastronomia óptima, está um dia fantástico, aproveitem bem esta hora de almoço. Eu não posso aproveitar porque vou trabalhar com os presidentes de federação, mas aproveitem esta pausa”, disse antes de desafiar também os jornalistas a experimentarem as iguarias da cidade. “Se não, correm o risco de entrar em hipoglicémia e eu não quero isso”, rematou.

Interior em debate

O secretário nacional, Miguel Laranjeiro, confirmou algumas das palavras mas não explicou o seu alcance. Nem mesmo com o que é que Seguro não concordava com a troika. “Não vou referir porque não foi referido na intervenção. O que foi referido é que seremos responsáveis na oposição, porque pode-se servir o país na oposição e no Governo. E o Partido Socialista está na oposição por opção dos portugueses e pode servir, e servirá, o país na oposição, respeitando aquilo que são acordos internacionais”, disse o também deputado.

O tema da comissão – a modernização com várias propostas de alterações aos estatutos – não gerou grande debate na reunião. Quem falou, foi para secundar os pontos colocados em cima da mesa. Já Seguro demorou algum tempo no assunto. Apresentou a alteração das regras de adesão de militantes como um “acto de consciência política” de forma a “erradicar os sindicatos de voto e o caciquismo”. Com esse mesmo objectivo defendeu a actualização dos ficheiros do PS.

À margem, Miguel Laranjeiro anunciou a realização de uma conferência sobre o interior do país a 3 de Março.”O Partido Socialista tem denunciado o virar de costas por parte do Governo ao interior do país em muitas matérias - na reorganização administrativa, na área da saúde - e esta conferência sobre o interior marca também um posicionamento muito importante de apoio a uma grande parte do país por parte do Partido Socialista”, afirmou Laranjeiro.


Estatísticas

  • 2078 leitores
  • 5 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1532372

Comentário + votado

Hipocrisia

Qundo o PS fala em Hipocrisia é de facto a grande verdade que existe dentro e fora do PS, qual a ...

João Ramalho

06.02.2012 10:02

X

Mais em Política (9 de 9 artigos)

João Vieira Lopes admite discutir o fim do feriado mas não para este ano Confederação do comércio critica fim da tolerância de ponto em cima da hora