Seguro diz que “não é o momento” para “desavenças” entre Presidência e Governo

30.01.2012 - 08:00 Por Lusa
O secretário-geral do PS considera que “não é o momento” para “desavenças” entre a Presidência da República e o Governo, mas sim para concentrar “todos os esforços” no objectivo de “resolver” a actual crise.
“Este não é o momento para termos desavenças entre os principais órgãos de soberania, em particular entre a Presidência da República e o Governo”, disse neste domingo António José Seguro.
“Numa altura em que se pedem tantos sacrifícios aos portugueses, estes são momentos de concentrarmos todos os esforços e todas as nossas energias para conseguirmos resolver a crise que nos defrontamos”, disse também o líder do PS.
António José Seguro falava aos jornalistas após ter encerrado o encontro de autarcas socialistas “Visão e Ambição para o Poder Local”, que decorreu neste domingo na vila alentejana de Ourique.
Na sua intervenção na sessão de encerramento, Seguro acusou o Governo PSD/CDS-PP de ser um Executivo “de braços caídos”, que “desistiu” de Portugal e “está a matar os sonhos dos portugueses”.
“Este Governo é um Governo de braços caídos. É um Governo que só aplica o programa da troika. É um Governo que desistiu, há muito, de Portugal. Este Governo está a matar os sonhos dos portugueses. Não está a dar esperança aos jovens portugueses. Isto é inaceitável”, referiu.
“Obsessão pela austeridade”
As políticas do Governo “denotam uma paixão, uma obsessão pela austeridade”, que é a “única” resposta do Executivo para “sairmos da crise”, disse António José Seguro.
“E se mesmo a austeridade, que já é aplicada, não resolver os problemas, o Governo tem outra solução: que é mais austeridade”, afirmou, defendendo que “este não é o caminho” para Portugal.
De acordo com Seguro, Portugal precisa, como “caminho alternativo”, de “uma agenda para o crescimento económico e o emprego”, o que implica “medidas e políticas nacionais e ao nível europeu”.
“Em momentos de crise não há tempo a perder, tem que se ter lucidez, tem que se olhar para os indicadores e perceber que esta receita que o Governo está a aplicar é errada, que a austeridade não é solução”, defendeu.
“Se hoje fosse primeiro-ministro também tinha que adoptar medidas de austeridade”, mas “queria ter, pelo menos, mais um ano para consolidar as nossas contas públicas”, afirmou o líder socialista, considerando ainda que “o problema” da austeridade aplicada pelo Governo “está na dose e no ritmo”.

