O secretário-geral do PS, António José Seguro, criticou hoje a lentidão da União Europeia, que “ainda não pôs em prática medidas apresentadas há três meses”, e defendeu a criação de eurobonds.
“Nós temos uma União Europeia lenta”, disse hoje o líder socialista no final da Convenção Autárquica que decorreu em Gondomar.
António José Seguro lembrou como “em julho a União Europeia fez uma reunião de emergência” e então “tomou decisões importantes”, tendo demorado três meses para as aprovar “e ainda não as colocou em prática”. “Não podemos esperar tanto tempo”, salientou o líder dos socialistas, frisando que “há pessoas a viver situações muito difíceis” e que “na Europa há cerca de 40 milhões de pessoas que não têm recursos para poder ter uma refeição por dia”.
Sobre as cimeiras agendadas para domingo em Bruxelas, Seguro defendeu que “a agenda principal que devia estar em cima da mesa era precisamente as respostas para o emprego, as respostas ao crescimento, o apoio às empresas, à criação de postos de trabalho”. “É evidente que a reunião de amanhã é muito importante em termos de poder salvar a Grécia, em termos de reforçar o fundo que ajuda muitas das economias e também a de Portugal, mas é pouco”, lamentou.
Para o secretário-geral do PS, “a União Europeia precisa de um governo económico forte, uma liderança política com visão, uma agenda que responda aos problemas concretos das pessoas e precisa de ter um verdadeiro orçamento”.
E como o orçamento de estado da UE “não permite ter políticas públicas de estímulo para o crescimento económico”, há medidas que para Seguro “deviam já ter sido tomadas” como a criação dos Eurobonds.
“Eurobonds é uma expressão que no fundo significa que a União Europeia devia lançar iniciativas que permitissem que uma parte da dívida dos estados em dificuldade pudesse ser titulada por esses títulos e com isso diluía-se o valor dessa dívida, e simultaneamente reduzia-se a taxa de juro dos nossos empréstimos e do nosso financiamento”, explicou aos presentes.
Recordando que “o primeiro-ministro português deixou de defender essa posição” após uma “reunião com a chancelerina Merkel”, o socialista disse compreender que a Alemanha não tenha os eurobonds como uma prioridade, porque é uma economia excedentária”. Considerou, porém, que “um país como o nosso não se pode permitir ter um primeiro-ministro que não seja capaz de, frente à chancelerina Merkel, defender os interesses de Portugal e os eurobonds”.
Notícia actualizada às 21h06


