Segurança Social: PS desafia PSD a quantificar custos da sua proposta de reforma

03.09.2006 - 18:45 Por Lusa
O PS desafiou hoje o presidente do PSD, Marques Mendes, a quantificar os custos financeiros da sua proposta de reforma da Segurança Social, designadamente no período de transição entre o actual e o eventual novo sistema.
Em Castelo de Vide, o líder do PSD, Luís Marques Mendes propôs ao primeiro-ministro, José Sócrates, um acordo para a reforma da Segurança Social, a partir das propostas que os sociais-democratas e o Governo apresentaram.
"Considero fundamental que esta reforma da Segurança Social seja feita através de um acordo entre o Governo e o PSD, a partir das propostas que ambos apresentaram", afirmou Marques Mendes, no encerramento da Universidade de Verão do PSD.
Em resposta ao líder social-democrata, o porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou que o repto para um acordo em torno da reforma da Segurança Social "não é novo" e referiu que a proposta do PSD "continua incompleta".
"O PSD continua sem explicar aspectos essenciais da sua proposta de reforma da Segurança Social. Como a sua proposta representa uma mudança de paradigma face ao actual sistema e obriga à existência de um período de transição, o PSD ainda não explicou como vai buscar o dinheiro para financiar esse período de transição, sobretudo numa altura em que o país enfrenta sérios constrangimentos orçamentais", respondeu Vitalino Canas.
Segundo este responsável, "quando as propostas não são suficientemente explicadas em termos de consequências, nem quantificadas do ponto de vista dos recursos financeiros, resta somente encolher os ombros".
"O PSD tem de concretizar a sua proposta e explicar claramente quais os recursos financeiros que requer", acrescentou o porta-voz do PS.
Vitalino Canas disse depois que Marques Mendes "comete dois erros graves" quando se pronuncia sobre a actual situação económica do país e quando se refere ao crescimento económico actual do país.
"Marques Mendes parece um treinador despeitado a falar da sua antiga equipa, que antes perdia e que agora começa a ganhar jogos", apontou o dirigente socialista, lamentando ainda que o presidente do PS assuma "um discurso de facilidade".
"Dá a impressão que o líder do PSD pensa que basta fazer estalar os dedos para que o país comece a crescer três por cento ao ano, o que não é verdade. Para que o país cresça três por cento ao ano, o Governo terá ainda de prosseguir as suas reformas no sector público, estimular o investimento privado e facilitar as condições de funcionamento das empresas", contrapôs o porta-voz do PS.

