Se pagasse menos energia podia pagar mais aos trabalhadores, disse a Spal a Jerónimo

16.09.2009 - 19:34 Por Maria Lopes
Um administrador da Spal disse hoje a Jerónimo de Sousa que se pudesse pagar menos na factura da energia pagaria mais aos seus trabalhadores. José António Paiva, que recebeu uma comitiva da CDU para uma visita à fábrica, em Alcobaça, deixou outro recado aos políticos: preocupem-se em fazer aumentar o poder de compra dos portugueses.
“Estamos preocupados porque a Spal vive do consumo e este tem-se retraído”, mesmo nas classes mais altas, que constituem o mercado preferencial da marca de loiça, contou o administrador ao líder da CDU.
Apesar do reconhecimento no mercado interno, a marca “tem grandes problemas ao nível de exportação”. Jerónimo de Sousa ainda mencionou as ajudas que o Governo tem dito que distribui para a exportação, mas o administrador contou que a questão está na alteração do valor da moeda, já que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha eram os seus principais mercados. Há pouco tempo, a empresa perdeu também a maior parte das encomendas que tinha de uma multinacional com que trabalha há 35 anos, que deslocalizou as suas compras para a Turquia e China.
O administrador garantiu que a empresa nunca teve grandes problemas sociais, mas em 2007, quando começou “a sentir mais dificuldades”, negociou com uma centena de trabalhadores, “sobretudo pessoas com 35 e 40 anos de descontos”. “Fomo-nos ajustando”, justificou José António Paiva. Então, as duas fábricas de Alcobaça tinham 500 trabalhadores, agora são 400.
José António Paiva e Jerónimo de Sousa concordaram que têm diferenças de opinião e pontos de antagonismo. “Mas também muitos em comum. Temos que pensar no interesse nacional”, disse o primeiro, acrescentando não haver dimensão, a nível nacional, para a coexistência de três ou quatro grandes empresas de loiça cerâmica.
Por isso, defendeu que “é urgente o apoio à exportação”, por exemplo, com a melhoria dos portos, mas também da factura da energia, já que a Spal depende muito do gás natural e da electricidade. “Seria uma mais-valia: se pagasse menos energia poderia pagar mais aos trabalhadores.”
Arruada curta na Marinha Grande
Foi a que mais jovens juntou desde o início da campanha, mas a arruada que Jerónimo fez hoje na Marinha Grande acabou por ser curta e encontrar poucas pessoas. O local escolhido para Jerónimo dizer umas palavras, junto a uma rotunda, também não foi o melhor.
A intenção da CDU era marcar presença num município que é uma ilha comunista - a par com Peniche - num distrito de maioria social-democrata. O presidente eleito pela CDU passou, em 2007, por um processo polémico em que o PCP da Marinha Grande lhe retirou a confiança política depois de lhe indicar que deveria renunciar ao cargo. Para o seu lugar subiu o vereador Alberto cascalho, que volta agora a ser candidato.
Tendo em conta que o distrito é um considerado um bastião PSD, seria uma honra para Jerónimo conseguir ali um deputado. O líder da CDU diz que embora não tendo definido “objectivos desses”, o ambiente demonstra que isso “é mais palpável que um sonho”. “Se não for desta, é da próxima.”

