Santos Silva: combate ao PSD exige “autonomia da agenda política”, “agilidade” e “clareza”

06.07.2010 - 12:55 Por Maria José Oliveira
Augusto Santos Silva apresentou hoje ao grupo parlamentar do PS uma manual de instruções para combater a oposição. As principais armas para atingir o alvo prioritário, o PSD, são o debate ideológico e a “denúncia da hipocrisia”.
O ministro da Defesa, convidado para falar sobre o futuro da esquerda democrática nas jornadas parlamentares do PS, que hoje terminam no Refeitório dos Frades da Assembleia da República, centrou o seu discurso num conjunto de fórmulas para combater o PSD.
Aprofundar a distinção entre o PS e o PSD é um dos principais objectivos, apontou, sustentando que essa clivagem deve ser logo evidente na linguagem. “Se enunciarmos as coisas na linguagem dos nossos adversários estamos a abdicar da autonomia do nosso próprio pensamento político”, afirmou, em jeito de recado interno.
Para Santos Silva a demarcação entre socialistas e sociais-democratas “é decisiva” (“é aí que devemos investir o nosso combate político”), pelo que se afigura prioritário destacar a autonomia da agenda política do PS, defendeu, e diferenciá-la da agenda do PSD. Que, notou Santos Silva citando o artigo de Pedro Passos Coelho publicado ontem no jornal “i”, se baseia na premissa da “passagem do chamado Estado Providência ao Estado regulador ou Estado garantia” – “ele escreve ‘o chamado Estado Providência quando nós dizemos o amado Estado Providência. Esta frase é um monumento: a ideia de o Estado Providência se opor ao Estado regulador é um verdadeiro monumento que vai marcar o pensamento político nas próximas décadas”, ironizou.
Para além da linguagem e da agenda política, o governante aconselhou também os deputados a insistirem no “debate de ideias” e na “denúncia da hipocrisia” do PSD, exemplificando com o excerto do texto de Passos Coelho acima citado. “Não devemos ignorar a centralidade do debate de ideias e temos de denunciar a hipocrisia disto”, disse, sublinhando que este combate exige “clareza”, “agilidade intelectual e política” e “autonomia de agenda, pensamento e linguagem”.
Quanto aos restantes partidos da oposição, Santos Silva nomeou apenas o Bloco de Esquerda e o PCP, que, em seu entender, “apoiam” a agenda neoliberal ao aceitar participar em “coligações contra-natura” que pretendem “desgastar o Governo e o primeiro-ministro”.

