O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou hoje a presidente do PSD de ter uma concepção “empobrecida” da democracia ao criticar o primeiro-ministro por estar ausente da cimeira europeia (no domingo, em Bruxelas) para encerrar o congresso do PS.
“Nem quero acreditar que o primeiro-ministro [José Sócrates] possa pôr uma festa de encerramento do congresso [em Espinho] à frente dos interesses do país”, declarou Manuela Ferreira Leite ontem à noite em Braga.
Em reacção a esta posição da líder social-democrata, Augusto Santos Silva contrapôs que aquilo que é “inaceitável é a concepção de democracia empobrecida da drª Manuela Ferreira Leite”.
“As suas declarações fazem imediatamente evocar a sua confissão de há meses, segundo a qual talvez fosse melhor o país viver seis meses sem democracia”, reagiu o membro do Governo.
Segundo a versão de Augusto Santos Silva, ao contrário do que “aparentemente pretendia a líder do PSD, o primeiro-ministro não irá encerrar uma festa, mas sim participar no congresso do partido de que é secretário-geral”.
Partidos são “pilares da democracia”
“Ora, acontecendo que os partidos são pilares da democracia, é o congresso do PS que elege a direcção política e aprova as ideias políticas que o partido irá apresentar aos portugueses”, justificou o ministro dos Assuntos Parlamentares.
Ainda de acordo com o ministro dos Assuntos Parlamentares, na cimeira informal do Conselho Europeu, domingo, em Bruxelas, “Portugal estará representado através de um ministro de Estado com a autoridade e um mandato claro para defender as posições do país, fazer valer os interesses nacionais e apresentar as propostas portuguesas aos parceiros europeus”.
No entanto, nestas declarações à agência Lusa, Augusto Santos Silva não especificou qual dos dois ministros de Estado do actual Governo – Teixeira dos Santos (que tem a pasta das Finanças) ou Luís Amado (que tem a pasta dos Negócios Estrangeiros) – irá substituir José Sócrates na cimeira de Bruxelas.
Na segunda-feira, em Bruxelas, à entrada para uma reunião dos chefes da diplomacia europeus, o ministro dos Negócios Estrangeiros português considerara “absolutamente normal” que José Sócrates, retido no Congresso do PS em Espinho, não estivesse presente na cimeira europeia de 1 de Março, fazendo-se representar por um ministro de Estado. “Não é a primeira vez que isso acontece. O primeiro-ministro está a encerrar o congresso do seu partido”, disse também Luís Amado na altura.
José Sócrates faltou pela primeira vez a uma cimeira europeia a 7 de Novembro passado, também uma reunião especial para definir uma posição comum sobre a reforma do sistema financeiro internacional.
Na altura o primeiro-ministro ficou retido em Lisboa pelo debate e votação do Orçamento para 2009 e foi substituído no encontro pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.


