Pedro Santana Lopes vai abandonar a liderança do PSD no próximo Congresso do partido. A decisão vai ser anunciada esta tarde na reunião da Comissão Política Nacional do PSD.
De acordo com uma fonte do gabinete do primeiro-ministro demissionário ouvida pela Lusa, Santana Lopes "tomou sozinho" a decisão de não se recandidatar no próximo congresso e vai comunicá-la ao final da tarde aos sociais-democratas.
Na reunião da Comissão Política do PSD, marcada para as 18h00, Santana Lopes vai ainda "apresentar a forma que preconiza para encontrar uma nova solução" para a liderança do PSD, acrescentou a mesma fonte.
Na sequência da derrota eleitoral do PSD, Santana Lopes assumiu, na declaração feita domingo à noite, as responsabilidades pelo resultado do partido, mas não se demitiu, optando por pedir um congresso extraordinário para os militantes definirem o futuro.
"A responsabilidade deste resultado e de todo o percurso é totalmente minha", disse Santana Lopes na primeira reacção aos resultados eleitorais.
Afirmando que terminou "um ciclo político", Santana Lopes explicou que dentro de dias apresentaria as suas propostas a todos os militantes, "para dizerem o que aconteceu e o que vai acontecer no partido".
O PSD obteve 28,7 nas legislativas de domingo, ficando cerca de 16 pontos percentuais atrás do PS, que alcançou maioria absoluta.
Desde logo, vários sociais-democratas defenderam a demissão de Santana Lopes, a começar pelo histórico Miguel Veiga, um dos fundadores do partido.
Veiga fez ainda votos para que apareçam vários candidatos à sucessão de Santana Lopes, prevendo que um deles seja Luís Marques Mendes.
Na noite das eleições, Marques Mendes, cabeça de lista em Aveiro, classificou a derrota do PSD como "histórica" e defendeu uma mudança no partido o mais rapidamente possível.
"O PSD tem de mudar de vida para que estes resultados desastrosos não se venham a repetir no futuro. Temos de mudar de vida rapidamente", disse Marques Mendes.
Ainda na noite eleitoral, António Borges, ex-vice-governador do Banco de Portugal e outro dos críticos de Santana no PSD, afastou a possibilidade de avançar com uma candidatura à liderança do PSD, considerando que não tem "nem curriculum, nem experiência" para conduzir o partido.
O economista elegeu Manuela Ferreira Leite como a "candidata ideal" para disputar a Santana Lopes a presidência do partido, sublinhando que "é preciso uma revolução" dentro do PSD.
Hoje, Luís Filipe Menezes já admitiu a possibilidade de se candidatar à liderança do PSD, mas remeteu uma decisão final para depois de uma conversa com Santana Lopes, sublinhando que não fará "nada que o possa contrariar ou magoar".
Confrontado com a possibilidade de defrontar Marques Mendes numa corrida à liderança do partido, o autarca de Gaia considerou que será "uma disputa de amigos".
Santana Lopes chegou à liderança do PSD no início de Julho de 2004, depois de Durão Barroso ter abandonado o Governo e a presidência do partido para presidir à Comissão Europeia.
Na altura, Santana Lopes foi eleito presidente do partido em conselho nacional. Em Novembro, a liderança de Santana Lopes foi reconfirmada num congresso do PSD realizado em Barcelos.


