Santana Lopes: resultado eleitoral deu razão ao Presidente da República

25.02.2005 - 15:15 Por Lusa, PUBLICO.PT
O primeiro-ministro cessante, Pedro Santana Lopes, assumiu hoje que o resultado das eleições do passado domingo deu razão ao Presidente da República, quando este decidiu dissolver o Parlamento, no final do ano passado.
Após o almoço de despedida, no Palácio de Belém, Pedro Santana Lopes quis deixar claro que, apesar das divergências políticas do passado, a sua relação pessoal de "há muitos anos" com Jorge Sampaio permanece "intocável e inatacável".
"O meu lema é sempre 'sem rancores' e não guardo rancores nenhuns porque acho que eles não são devidos", acentuou o primeiro-ministro cessante.
Depois de sublinhar o "modo exemplar" como decorreu a relação institucional com Sampaio, Santana Lopes admitiu que o Presidente da República fez uma leitura correcta da situação política quando decidiu dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas.
"É isso que revela o resultado das eleições. Com certeza que o povo disse que o sr. Presidente tinha decidido bem", reconheceu o chefe do Governo cessante, embora recordando que em democracia as maiorias têm legitimidade, mas nem sempre razão.
"O povo não decide bem só quando nos dá razão a nós", acrescentou.
Após a refeição, Jorge Sampaio fez questão de acompanhar Santana Lopes à sala das bicas do Palácio de Belém para se despedir, naquele que deverá ser o último encontro institucional entre ambos.
O primeiro-ministro cessante escusou-se a revelar pormenores sobre o futuro político, designadamente se retoma o cargo de presidente da Câmara de Lisboa, concentrando todas as declarações nos elogios ao Presidente da República.
"Aprendi com os meus pais que para as decisões importantes deve dar-se pelo menos 24 horas. Já tomei a decisão de convocar um congresso do PSD, já tomei a decisão de não me recandidatar, são muitas decisões para tão pouco tempo", afirmou.
Santana Lopes fez "um balanço muito positivo" dos sete meses de relação institucional com Jorge Sampaio, chegando a recordar que já o seu antecessor, Durão Barroso, lhe tinha dito "o quão gratificante é trabalhar com este Presidente".
"Quero apenas dar público testemunho do modo exemplar como decorreu o trabalho institucional", concluiu o primeiro-ministro cessante, que esteve no Palácio de Belém acompanhado pela sua chefe de gabinete, Ana Costa Almeida.
À semelhança do que fez com os ex-primeiros-ministros António Guterres e Durão Barroso, o Presidente da República assinalou também a despedida de Santana Lopes com um almoço no Palácio de Belém.
Na quinta-feira, Jorge Sampaio convidou formalmente o secretário-geral do PS, José Sócrates, a formar Governo, na sequência da vitória dos socialistas nas eleições legislativas de domingo.

