Santana Lopes já tem assinaturas necessárias para congresso extraordinário

14.01.2010 - 15:33 Por Lusa
O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes revelou hoje que conseguiu já reunir o número de assinaturas necessárias à convocação de um congresso extraordinário do PSD, que espera possa ter lugar “na primeira semana de Março”.
“Posso confirmar que já tenho o número de assinaturas suficiente para convocar um congresso extraordinário do partido. Já tenho um número de assinaturas que ultrapassa o mínimo exigível. Julgo que nunca aconteceu na história do PPD/PSD”, disse, em declarações à agência Lusa.
Santana Lopes adiantou ainda que “a partir de amanhã [sexta-feira]” irá entregar o pedido para a convocação da reunião magna social-democrata, que espera possa realizar-se no início de Março.
“Estou agora em condições de entregar a partir de amanhã ao presidente da mesa do Conselho Nacional e do Congresso para que proceda à convocação do Conselho Nacional para convocar o congresso extraordinário para os dias 05, 06 e 07 de Março, para o primeiro fim-de-semana de Março”, referiu.
Recentemente, o antigo líder do PSD afirmou-se convicto de que reuniria até ao final desta semana as 2.500 assinaturas necessárias à convocação de um Congresso do partido.
Quando esta iniciativa foi tornada pública, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou “bastante positivo” que haja um congresso extraordinário para “discussão e reflexão” antes das eleições directas para a liderança social-democrata.
“Acho que é um belíssimo momento para ser um fórum de debate muitíssimo importante antes das eleições directas, que é aquilo que ele pretende”, declarou, no final de um debate promovido pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, em Lisboa.
A notícia do lançamento do processo de recolha de assinaturas foi dada em meados de Dezembro pelo próprio ex-chefe de Governo num espaço de opinião que assina no semanário “Sol”.
De acordo com Santana Lopes, o conclave deve servir para discutir alterações estatutárias podendo também ser palco para a apresentação de novos candidatos à liderança nas eleições directas, previstas para depois do debate da votação do Orçamento de Estado para 2010.
Saudada pela líder do partido, a iniciativa foi acolhida com menos entusiasmo por personalidades sociais-democratas como o eurodeputado Paulo Rangel - “Sinceramente, acho que talvez não fosse altura para isso”, disse - ou pelo presidente do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, que afirmou: “não concordo nem deixo de concordar. Estou absolutamente afastado do PSD nacional, a ponto de, primeiro, não interessar muito com que lá se passa, nem me preocupar em ter informação bastante para ter uma posição”.
Posição idêntica foi expressa pelo líder parlamentar social-democrata, José Pedro Aguiar-Branco, que, demarcando-se do grupo de signatários da iniciativa, afirmou, ainda assim, não ver “problema nenhum” na convocação de um conclave extraordinário.
Já o candidato a presidente do PSD Pedro Passos Coelho não quis comentar a proposta.
Um grupo de cerca de duas dezenas de autarcas sociais-democratas (que no fim-de-semana passado se reuniram na Ericeira para expressar preocupação com a situação do partido) está também a promover a recolha de assinaturas para um conclave extraordinário.
Em nome do grupo de autarcas, o presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto, indicou que iriam pedir uma audiência à presidente do partido para sensibilizar Manuela Ferreira Leite para a necessidade da convocação de uma reunião magna do PSD antes das eleições directas.
De acordo com os estatutos do PSD, o Congresso reúne ordinariamente de dois em dois anos ou extraordinariamente “a requerimento do Conselho Nacional ou de 2.500 militantes”.

