Santana Lopes garante que regresso à autarquia não se deveu a razões materiais

15.03.2005 - 22:22 Por Lusa
Pedro Santana Lopes emitiu esta noite um comunicado em que explica a decisão de reassumir a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, garantindo que o seu regresso à autarquia nada teve a ver com razões materiais, mas apenas com o desejo de cumprir o mandato para que foi eleito em 2001.
"Regresso à presidência da CML para cumprir um dever que muito me honra. Faço-o com gosto, quando, como sempre, surgiram outros desafios na minha vida profissional. Quero, por isso, deixar claro que dou todo o meu trabalho até ao final do mandato sem procurar vantagens materiais", afirma o ex-primeiro-ministro, num texto intitulado "comunicado aos lisboetas".
José Aguiar, assessor de imprensa da autarquia explicou à Lusa que com esta afirmação Santana Lopes quer contrariar insinuações de que regressava à presidência da autarquia porque não tinha outra opção profissional.
Na missiva aos munícipes, o presidente da CML explica que suspendeu o mandato autárquico em Julho "por ter sido chamado ao exercício do cargo de primeiro-ministro num momento particularmente difícil" e sublinha que "não há trabalho mais bonito em política do que o trabalho autárquico".
"Na ponderação que fiz, tendo terminado a missão que fui chamado a desempenhar, nenhuma razão superior existia que justificasse a renúncia a este mandato que, para todos, representa uma viragem na condução dos destinos de Lisboa", refere.
O ex-primeiro-ministro argumenta que regressa à autarquia da capital a sete meses das eleições autárquicas, mas que "o dever não se mede em função do tempo que falta para terminar um mandato".
"Estou aqui para cumprir o programa que os lisboetas sufragaram a 16 de Dezembro de 2001. Também em 1991, Jorge Sampaio regressou à presidência da Câmara Municipal de Lisboa depois de ter suspendido o mandato para disputar eleições legislativas com um resultado semelhante", recorda.
Santana Lopes aproveita para endereçar "uma palavra de louvor e de agradecimento" a António Carmona Rodrigues, que o substituiu na presidência da autarquia, "pela forma tão dedicada e competente como, nos últimos sete meses, conduziu os destinos da cidade".

