Santana Lopes admite "conversar" para evitar duplicação de congresso social-democrata

13.01.2010 - 07:57 Por Margarida Gomes, Nuno Simas
Pedro Santana Lopes é taxativo: o congresso extraordinário do PSD que propôs é para manter e planeia entregar as 2500 assinaturas na próxima semana. Mas perante as reservas à ideia, deixa em aberto "conversar" com a direcção de Manuela Ferreira Leite. "Estou aberto a conversar, a discutir a ordem de trabalhos, por exemplo. É possível analisar o modelo para evitar a duplicação de congressos", declarou ao PÚBLICO o ex-primeiro-ministro.
O importante, insiste, é o congresso realizar-se antes das eleições "directas", "não só para fazer o balanço" dos últimos anos, mas para o partido "ganhar balanço". Outro passo importante é o conselho nacional analisar a questão. Ontem, dia em que se reuniu a comissão política nacional, Pedro Santana Lopes recebeu um apoio de peso: Alberto João Jardim. O líder do PSD-Madeira admitiu juntar o seu nome à lista de militantes a pedir a convocação da reunião magna lançada por Santana, mas desde que seja "à porta fechada".
Apesar do apoio da presidente do partido à ideia - logo no dia que Santana anunciou que iria recolher as assinaturas -, nas últimas semanas somaram-se as reservas de vários membros da comissão permanente social-democrata à ideia do congresso. Uns mais abertamente que outros. A tentativa, admitida ao PÚBLICO por membros da direcção de Manuela Ferreira Leite, é juntar os dois congressos e evitar a sua realização separada por apenas dois meses. Santana não enjeita essa hipótese. As pontes para um entendimento a favor de uma junção de congressos são lançadas abertamente por uma vice-presidente do partido.
Sofia Galvão não encontra razões para a convocação de um congresso extraordinário, até porque, nota, vai haver um congresso pós-directas para a eleição do futuro líder. "É um congresso, que, à partida, serve para eleger os órgãos dirigentes, mas nada proíbe que sejam discutidas outras coisas importantes para a vida do PSD e, portanto, o ideal seria fazer-se tudo nessa altura", declarou.
Em declarações ao PÚBLICO, Sofia Galvão sublinha que "só não entende isto aqueles que defendem que vale a pena rediscutir o processo [de alteração dos estatutos] já para a eleição do próximo líder do partido. Só aí é que faz sentido precipitar um congresso". Negando divisões no seio da direcção, com Manuela Ferreira Leite de um lado e os vice-presidentes do outro na questão do congresso extraordinário, a dirigente nacional garantiu que "houve um consenso absolutamente fácil relativamente a todas as desvantagens de nesta altura se fazer uma discussão de questões internas e procedimentais relativamente à vida do partido". "Nem sequer foi difícil de se chegar a um consenso", acrescentou.
Do seu ponto de vista, convocar um congresso agora seria criar ruído à volta do PSD, que é algo que ninguém responsável no partido deve querer e ainda por cima à volta com questões internas. "Não é o PSD a discutir o país, é o PSD a discutir como é que deve eleger os seus líderes; não é exactamente aquilo que os portugueses nesta altura têm mais apetência para ver discutida."
Votação forçada das finanças regionais
É uma sombra nas negociações para o Orçamento do Estado de 2010, agendadas para amanhã no Ministério das Finanças. No mesmo dia em que começam as conversas do Governo com os partidos, o PSD prepara-se para forçar o debate e a votação quinta-feira das alterações à Lei das Finanças Regionais. Contra a vontade do PS e do Governo, que gostariam que esse debate coincidisse com o OE, por ter implicações financeiras.
Ao PÚBLICO, o deputado madeirense Guilherme Silva garantiu que os sociais-democratas querem votar as mudanças à lei amanhã. E ontem foi conhecido o relatório da Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento (UTAO) da Assembleia da República, que concluiu que a alteração da lei aprovada em 2007 prejudicou a Madeira em mais 28 milhões de euros. Os cálculos do PSD apontavam para uma perda de verbas, por parte da região, de 111 milhões de euros, mas o cálculo da UTAO aponta para 139 milhões.
Em linha com a posição do seu partido, Vítor Baptista (PS) defendeu que seria "preferível" haver um adiamento da discussão da lei, mas o PSD espera ter o apoio da restante oposição para votar já o diploma e deixar os socialistas isolados.

