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PSD

Santana intima Machete a marcar congresso

15.01.2010 - 08:45 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes

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O social-democrata já tem as assinaturas necessárias O social-democrata já tem as assinaturas necessárias (Fernando Veludo (arquivo))
O ex-líder do PSD põe-se fora da corrida à sucessão de Ferreira Leite, mas quer conclave antes das directas.

Rui Machete já disse que não há "ambiente político" para a realização do congresso extraordinário do PSD, mas Pedro Santana Lopes avisou ontem que "não prescinde de um congresso antes das eleições directas", frisando que as mais de 2500 assinaturas que conseguiu reunir para a convocação do conclave conferem "um mandato imperativo" que tem de ser respeitado, ao abrigo dos estatutos do partido.

"O dr. Rui Machete é presidente da mesa do congresso e está obrigado a fazer cumprir os estatutos. Ele pode ter essa opinião política, mas, como insígne jurista que é, acredito que fará cumprir os estatutos", declarou o ex-líder do PSD ao PÚBLICO.

Com as assinaturas deverá ter chegado já ontem às mãos do presidente da mesa do congresso - que preside também ao conselho nacional - a ordem de trabalhos que os signatários pretendem ver discutida na reunião magna do partido: análise da evolução política nacional, debate e votação da proposta de alteração dos estatutos e eventual convocatória das directas. Olhada com desconfiança pelos seus críticos, a iniciativa de Santana Lopes recolocou-o em jogo e houve quem especulasse mesmo sobre a possibilidade de o ex-líder querer entrar na disputa pela sucessão de Manuela Ferreira Leite. "Não sou candidato, está decidido", declara Santana, reiterando as intenções que o levaram a mobilizar-se na recolha de assinaturas: discutir tudo antes de o partido partir para mais uma eleição de um líder.

Elogiada pela líder do partido, aplaudida por figuras como Marques Mendes, Guilherme Silva e Alberto João Jardim (este com a ressalva de que o conclave deve decorrer à porta fechada), a ideia do congresso divide a comissão política nacional e foi contestada pelos líderes distritais do Porto, de Lisboa e Braga (três das estruturas mais poderosas em número de militantes), que defendem a clarificação urgente da liderança do partido, reclamando, por isso, a realização de "directas já". Mas se a marcação do congresso extraordinário ocorrer na primeira semana de Março, tal como propõe Pedro Santana Lopes, as "directas" poderão ser atiradas para um mês depois, eventualmente coincidindo com o fim do mandato de Manuela Ferreira Leite, que termina em Maio. Um calendário que poderá ser desfavorável a Pedro Passos Coelho, o único candidato assumido à liderança e que já está no terreno há longos meses. Ontem, nem Passos Coelho, nem Miguel Relvas, o estratega da candidatura, quiseram comentar a realização do congresso extraordinário.

José Pedro Aguiar-Branco, cuja candidatura é apontada como cada vez mais segura, reagiu à notícia com a prudência de quem, como líder parlamentar, não quer misturar planos. "Neste momento estou concentrado nas questões com que o país se debate, que têm a ver, sobretudo agora, com o Orçamento do Estado, e é esse trabalho a que me tenho dedicado", declarou, citado pela agência Lusa. Mas disse também que, face aos estatutos do partido, a iniciativa de Santana tem de ser "encarada com normalidade democrática".

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