Sampaio critica discussão sobre penálti e escolha de provedor

26.03.2009 - 20:14 Por Nuno Amaral, Rio de Janeiro
“Essa questão tem de ser resolvida o quanto antes.” O antigo Presidente da Republica, Jorge Sampaio, defendeu assim que os deputados não podem perder mais tempo com “batalhas ideológicas” em torno da escolha do novo provedor de Justiça.
“É o prestígio e a credibilidade da Assembleia da República e da própria provedoria que está em risco”, disse ao PÚBLICO no Rio de Janeiro, à margem do 3.º Fórum de Parceiros Stop TB (tuberculose).
Sampaio enfatizou que a indefinição quando ao futuro titular do cargo não deixa ninguém sair bem da fotografia. “Não é bom para os deputados, não é bom para os partidos, não é bom para a Assembleia, não é bom para o actual titular do cargo, percebo a sua angústia, mas não se justifica ter dito o que disse. Portanto, é uma questão que urge resolver depressa”, salientou.
No Brasil desde domingo, Sampaio, enviado especial da ONU para o combate à tuberculose, alertou para que a escolha do novo Provedor “não é uma batalha ideológica” e lamentou que o tema esteja a dominar o caudal informativo no país. “As notícias que tive de Portugal nestes quatro dias era o penálti que foi marcado contra o Sporting e o Provedor de Justiça. Convirá que é pouco”, frisou.
Clima “muito crispado”
A partir deste episódio, frisou que cabe aos deputados resgatarem a credibilidade da classe política – “porque a maioria dos políticos é trabalhadora e séria” – e encetar esforços para combater focos da doença da corrupção que existem em Portugal.
“A Assembleia da República, que é um órgão fundamental no país, um órgão de soberania, sede da representação popular, tem que arrumar este assunto [do Provedor de Justiça] rapidamente e tem que, enfim, como tem feito em muitos sítios, andar para a frente.
Bons inquéritos, boas interpelações, boas discussões, boas respostas, criar um bom ambiente, de confronto político útil e não estas coisas que, a meu ver, me parecem muito periféricas”, assinalou.
Em relação ao panorama de contestação instalado em Portugal, Sampaio lamentou a “crispação”. “Eu acho sinceramente que o clima está muito crispado”, alertou para depois pormenorizar: “A democracia quer confrontação, quer programas alternativos, quer tudo isso, mas dispensa a crispação. Eu não acho que os cidadãos, que sofrem todos os dias, ou que têm dificuldades, ou que estão a fazer contas sobre o que podem ou não podem gastar, e vêem que o saldo que resta não é nenhum, não gostam que a sociedade política esteja tão crispada”.

