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Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique

Sampaio condecora presidente honorário da Fundação Calouste Gulbenkian

20.07.2005 - 12:55 Por Lusa

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O museu reúne as seis mil obras de arte que Gulbenkian reuniu durante a vida O museu reúne as seis mil obras de arte que Gulbenkian reuniu durante a vida (DR)
O Presidente da República condecorou hoje o administrador e presidente honorário da Fundação Calouste Gulbenkian, Mikhael Essayan, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, no dia em que se assinalam 50 anos da morte do seu avô.

Jorge Sampaio lembrou os "relevantes serviços prestados a Portugal e à cultura portuguesa, quer no país, quer no estrangeiro", da fundação e do seu administrador, que ocupa o cargo há 24 anos.

Essayan congratulou-se com a distinção, referindo ser uma "grande honra ser agraciado pelo Presidente da República" e que, tal como o avô lhe transmitiu, tem constatado ao longo de mais de duas décadas que o povo português é "afável, simpático e hospitaleiro".

Calouste Gulbenkian veio a Portugal passar duas semanas e ficou 13 anos, morrendo em Lisboa há 50 anos e deixando um império que vale centenas de milhões de euros.

A Fundação Gulbenkian é a maior organização portuguesa do género e das maiores da Europa, com objectivos nas áreas da Educação, Ciência, Beneficência e Artes, nas quais gastou, no ano passado, mais de cem milhões de euros.

Os estatutos da fundação, criada por vontade deixada em testamento de Calouste Gulbenkian, foram aprovados em 1956, seis anos depois da morte do milionário do petróleo.

A morte de Gulbenkian foi o princípio da fundação cuja vertente cultural é hoje a mais conhecida. Mas o início de tudo remonta a 23 de Março de 1869, em Scutari, Istambul, dia do nascimento de Calouste Sarkis Gulbenkian, filho de uma família arménia rica.

Em 1939, o início da Segunda Guerra Mundial apanhou-o em Paris, onde era cônsul-geral do Irão.

Em Paris, sob o regime de Vichy, tornou-se amigo do embaixador de Portugal, Caeiro da Matta, que o convidou a passar uns dias em Lisboa e lhe apresentou o jovem advogado Azeredo Perdigão, que viria a ser o primeiro presidente do Conselho de Administração da Gulbenkian.

A ideia era passar duas semanas no sossego de Lisboa, cidade que embora não conhecesse lhe era recomendada como um sítio óptimo para descansar. Mas Sarkis Gulbenkian acabou por ficar 13 anos e apenas saiu uma vez de Portugal, para ir a Paris.

Apaixonado por Portugal e pela hospitalidade dos portugueses, que dizia nunca ter sentido em qualquer outro lugar, entre 1949 e 1952 ofereceu ao Museu Nacional de Arte Antiga um núcleo de azulejos do Médio Oriente, uma escultura egípcia, um torso grego (século V antes de Cristo) e um conjunto de arte europeia.

No seu testamento ficou expressa a vontade de criar uma fundação com o seu nome.

Calouste Gulbenkian morreu em Lisboa, no Aviz, a 20 de Julho de 1955. Um ano depois foi constituída a fundação com o seu nome e em 1969 foram inauguradas as instalações, em Lisboa, incluindo um museu que reúne toda a colecção da arte que adquiriu ao longo da vida: cerca de seis mil peças.

A sede da fundação inclui um grande auditório, espaços para exposições temporárias, zona de congressos, uma biblioteca e um Centro de Arte Moderna.

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