O vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar Branco escusou hoje comentar a desistência de Jorge Miranda da nomeação para Provedor da Justiça, mas comentou que a renúncia pode abrir caminho a "uma solução mais consensual".
"Eu não tenho que me pronunciar em concreto sobre a posição do professor Jorge Miranda. Espero é que com isto haja uma possibilidade de encontrarmos uma solução que seja mais consensual, que é para isso que o PSD tem sempre trabalhado", disse o dirigente do PSD, à margem do Fórum Portugal de Verdade promovido pelo partido sobre desemprego.
Na ocasião, o vice-presidente do PSD lembrou ainda a posição social-democrata sobre "a necessidade de o provedor sair e ser indicado pelo lado da oposição" face à "carga simbólica que tem a ver com a representação do povo no que diz respeito ao confronto com a administração".
O constitucionalista Jorge Miranda disse hoje que decidiu retirar a sua candidatura ao cargo de Provedor de Justiça, pelo PS, por uma questão de "dignidade pessoal" e porque o PSD insiste em não aceitar o seu nome.
"Resolvi retirar-me da corrida basicamente porque verificou-se que depois de duas votações parlamentares, numa das quais, a segunda, eu tive mais de dois terços dos votos expressos, o Partido Social-Democrata continua a insistir em não aceitar o meu nome, apesar de saber que eu sou uma personalidade independente", afirmou à Lusa Jorge Miranda.
Numa síntese a meio dos trabalhos do fórum social-democrata, Aguiar Branco salientou "convergências encontradas" entre os participantes na iniciativa Fórum Portugal de Verdade.
"É considerado que aquilo que é necessário fazer-se em termos de medidas específicas no imediato não passarão de meros paliativos se não mudarmos o modelo de desenvolvimento económico, que deve ser assente numa dimensão de apoio às empresas, sobretudo as exportadoras, porque só assim será possível criar sustentabilidade de criação de emprego. Essa é uma linha que foi referenciada por todos", relatou.
Ainda no que diz respeito às empresas, os participantes na iniciativa do PSD salientaram a necessidade de uma "maior competitividade no que diz respeito aos custos de trabalho" e o "pagamento da dívida do Estado às empresas", que "permita que as empresas tenham uma capacidade competitiva mais forte".
José Pedro Aguiar Branco apontou ainda "observação crítica" feita no encontro ao Governo relativamente às metas do plano tecnológico de "contribuir para uma requalificação forte", um objectivo que "não aconteceu".
Os contributos recolhidos na reunião de hoje irão agora "incorporar aquilo que for aceite pelo partido no programa eleitoral que irá ser elaborado até ao final do mês de Julho", esclareceu Aguiar Branco.


