O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, defendeu hoje que o actual regime político “precisa de uma grande ruptura aos mais diversos níveis” sob pena de “sucumbir” e afirmou-se “mais do que disponível” para ajudar à reforma.
“O regime que nasceu com o 25 de Abril [de 1974] precisa de reformas profundas, de uma grande ruptura aos mais diversos níveis. É um imperativo para todos os democratas perceber que é tempo de fazer reformas antes que as coisas evoluam para patamares ainda piores, seja do ponto de vista económico, seja do ponto de vista político”, frisou Rui Rio.
O autarca falava aos jornalistas na cerimónia de inauguração da estátua evocativa do Centenário da República, repetindo a ideia transmitida no discurso oficial. “Como sempre, as revoltas e as mudanças de regime ocorrem quando as contradições avultam e quando o povo não vê satisfeitas as promessas feitas por quem os governa”, alertou.
Aos jornalistas, Rio insistiu que foi com “contradições” e promessas não cumpridas “que todos os regimes caíram” e esclareceu não estar a referir-se ao primeiro-ministro.
“José Sócrates não é responsável pelas coisas que se passaram desde o 25 de Abril. Admito que esta governação possa ter acelerado alguns erros. Mas não falei do ponto de vista conjuntural”, sublinhou.
A questão, diz o autarca, é que “se a monarquia sucumbiu, se a primeira República sucumbiu, se o Estado Novo sucumbiu, este regime, se não for reformado, também sucumbe”. Impõe-se, por isso, uma “reflexão séria” sobre a democracia.
“Precisávamos de perceber que há muitas coisas que são preciso reformar e, numa actuação transversal a todos os que querem que a democracia continue e seja pujante - e não doente como a que temos - juntar vontades para fazermos as reformas que se impõem”, disse.
Revelando-se “mais do que disponível” para fazer as rupturas necessárias, Rio notou que as mesmas não agradarão a todos.
“Como reformas que são, é evidente que vão chocar com interesses instalados. A maior parte das pessoas não está contente com a situação do país, mas há quem esteja, que são os que usufruem de uma situação que não é das mais saudáveis. É assim que eu sinto e é assim que sente a maior parte dos portugueses, para não dizer dos europeus”, observou.
Também o presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva, considerou que as celebrações “devem ser vistas como um contributo para alcançar uma democracia melhor, em benefício das novas gerações”.


