Rui Pedro Soares recusa-se a prestar declarações na comissão

22.04.2010 - 11:13 Por Maria Lopes, Ana Brito
Rui Pedro Soares acaba de ler uma comunicação inicial em que afirma que não irá prestar quaisquer declarações à comissão de inquérito.
Rui Pedro Soares acaba de ler uma comunicação inicial em que afirma que não irá prestar quaisquer declarações à comissão de inquérito. Perante a "versão moderna do coliseu de Roma" em que se viu mergulhado nos últimos tempos, afirmou, tem duas armas: os tribunais, aos quais já recorreu, e o silêncio, a que recorre agora.
O ex-administrador da PT começou a ser ouvido com mais de meia hora de atraso por causa de polémica entre os vários deputado sobre o funcionamento da comissão e antes de começar a ser questionado leu uma declaração em que lembrou que foi deduzida acusação contra si "apenas quatro dias úteis antes do início do trabalho desta comissão".
Afirmou identificar uma "conexão" entre o que se passa a nível judicial e os trabalhos da comissão, de que alguns membros pediram, por exemplo, que fossem enviados para o Parlamento o espólio das transcrições de escutas e o processo em que está envolvido, e ainda o facto de alguns deputados terem "produzido declarações públicas" fazendo associações entre a tentativa de compra da TVI pelo Taguspark e a intromissão do Governo no negócio.
Os deputados da oposição acusaram de imediato Rui Pedro Soares de desobediência qualificada, tendo mesmo afirmado que iam requerer a abertura de um processo criminal por desobediência qualificada junto da Procuradoria-Geral da República.
Agostinho Branquinho, do PSD, repudiou "veementemente" o facto de Rui Pedro Soares "procurar fazer uma conexão entre o facto de haver uma acusação e os trabalhos" da comissão, porque "põe em causa o que é basilar num Estado de direito: a separação de poderes [judicial e legislativo]". O PSD avisou que ainda hoje apresentará novo requerimento escrito para que Rui Pedro Soares volte à comissão.
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