RTP aceita indicação do Governo para não pagar comentários de titulares de cargos públicos

16.10.2011 - 14:29 Por Leonete Botelho, Luciano Alvarez
A administração da RTP aceitou as indicações do Governo para eliminar as avenças pagas aos titulares de cargos públicos (deputados, parceiros sociais ou gestores de empresas públicas) que colaboram com o canal público de televisão.
A noticia foi avançada pelo PÚBLICO no sábado e Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, revelou no mesmo dia à TVI que a Administração já tinha aceite a indicação dada pelo Executivo.
“Quem desempenha cargos públicos e políticos - que foi comunicado à administração da RTP, que aceitou - não é aceitável que seja pago pelo serviço público, que é financiado pelos impostos dos portugueses”, disse Relvas à TVI.
Tal como o PÚBLICO revelou, há deputados, parceiros sociais e gestores de empresas públicas que recebem entre 100 e 600 euros por cada intervenção. Alguns chegam a auferir mais de 1100 euros por mês com esta colaboração.
“A RTP não pode ficar à margem do esforço financeiro que está a ser exigido a todos os portugueses neste momento de emergência nacional. A política de avenças da RTP tem sido inexplicavelmente mais generosa que a praticada pelos operadores privados”, explicou ao PÚBLICO Miguel Relvas.
Uma das mais importantes decisões já tomadas no plano e reestruturação da RTP aponta para a redução de cerca de 300 postos de trabalho, entre cargos de chefia e efectivos. Uma redução superior a 13% dos 2200 actuais funcionários da casa, cujo salário médio bruto anual ronda os 40 mil euros.
A política das remunerações não se fica pelo mero corte de pessoas. Ao que o PÚBLICO apurou, a orientação a dar é limitar os vencimentos nos cargos de chefia na RTP e na RDP à remuneração do Presidente da República, cujo valor este ano está fixado em 6523 euros.
Hoje há vários jornalistas e dirigentes – da área de informação, dos canais e antenas e dos centros regionais – que auferem mais do que o Chefe de Estado. Na informação da RTP, há vencimentos superiores a 10 mil, 13 mil e 14 mil euros, e muitos outros acima dos 6000 euros. O que é considerado por Miguel Relvas como uma política salarial “injusta e completamente insustentável, que tem de ser profundamente revista”.

