Está instalada a confusão no Conselho Nacional do CDS-PP. O presidente do partido abandonou, inesperadamente, a reunião de hoje em Torres Novas, deixando Paulo Portas sozinho, mas avisou que não se demite.
Com o argumento de que se deve “separar o debate político das questões processuais”, Ribeiro e Castro disse que o que “é indispensável é que as conclusões que venham a sair do Conselho Nacional se caracterizem pela democraticidade, pela imparcialidade no seu sistema de organização, pela rigorosa independência e pela possibilidade de os militantes que são chamados a pronunciar-se sobre o presente e o futuro do partido o fazerem com a maior liberdade e o maior rigor.”
Afirmando que ”o que é importante é fazer o debate político - é aí que se deve centrar a discussão -", o líder do CDS explicou que decidiu abandonar os trabalhos por uma “questão de coerência e fidelidade ao requerimento que foi apresentado pelos militantes de Leiria” e do qual ele próprio é subscritor.
“As questões processuais devem ser resolvidas o mais depressa possível pelo Conselho Nacional para que o partido possa centrar-se no debate político, que, esse sim, é essencial, da questão do modelo do partido, da questão do nosso posicionamento estratégico, da questão do modo e do estilo de fazer política”, declarou o líder.
Bombardeado pelos jornalistas, Ribeiro e Castro adiantou que explicou lá dentro aos militantes a sua decisão, colocou nas mãos dos vice-presidentes e do secretário-geral do partido a condução dos trabalhos, por parte da direcção, e recusou que a sua saída seja vista como uma derrota. E colocou o dedo na ferida: “É sabida a história da convocação deste Conselho Nacional. A minha fidelidade é aos militantes que subscreveram o requerimento de Leiria, e é a essa proposta que eu me sinto vinculado”, explicou, insistindo que o que “é indispensável é não cruzar as questões processuais com as questões políticas de fundo”.
“Sempre defendi eleições directas, introduzidas por um processo que passa por um congresso. O modelo de congresso que nós apresentamos e que eu defendo é um modelo de congresso que poderia ser a um tempo ou a dois tempos, na dependência do próprio congresso”, acrescentou. Apesar disso, declarou aceitar “o processo que for decidido pelo Conselho Nacional”. “Estou preparado para as consequências”, frisou antes de abandonar o Palácio dos Desportos.
Se a sua proposta for derrotada, demite-se do partido?, perguntaram os jornalistas. “Não, nunca disse isso. Não saio do jogo!”, concluiu, dizendo que veio ao Conselho Nacional para dizer aos conselheiros nacionais que este é o caminho que considera "recomendável”.
Mota Soares classifica atitude como insólita
O conselheiro nacional Mota Soares reagiu imediatamente, apelidando de “insólita” a saída de Ribeiro e Castro da reunião. “Acho um bocadinho insólito estarmos numa reunião e o presidente do partido abandonar a sala. É a primeira vez que eu me lembro de uma coisa destas acontecer”, declarou Mota Soares. E frisou que “é habitual discutirem-se nos conselhos nacionais questões processuais, são coisas que fazem parte dos partidos políticos”, sublinhou, notando que se tratam de “decisões que são essenciais para o futuro do partido”.
“Como é óbvio, o que eu quero, e a maioria dos militantes quer, neste momento, é poder voltar a falar de política." Mas, para que isso aconteça, nota, “é preciso que antes de mais se aprovem um conjunto de regulamentos que permitam convocar as eleições directas“, atirou, lamentando que Ribeiro e Castro tenha abandonado o Conselho Nacional com o argumento de que não se deve cruzar a questão processual com o debate político.


