Ribeiro e Castro diz que demissão de Campos e Cunha “abala a estabilidade política”

20.07.2005 - 22:33 Por Lusa
O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, considerou hoje que a demissão do ministro de Estado e das Finanças "abala a estabilidade política" e "pode manchar a credibilidade externa do país".
"É um facto grave que abala a estabilidade política, a estabilidade governativa e fere a credibilidade não só do Governo, mas pode manchar a credibilidade externa do país", sublinhou Ribeiro e Castro, em declarações à Lusa.
O líder dos democratas-cristãos recordou que está em fase de avaliação o Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado em Bruxelas por Luís Campos e Cunha.
"É um facto inédito, não há Governo credível em que o ministro das Finanças fique apenas três meses em funções", sublinhou, lembrando que o PS foi eleito em Fevereiro com maioria absoluta.
O primeiro-ministro pediu hoje ao Presidente da República a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, que invocou motivos familiares e cansaço para sair do Governo.
"Tenho o maior respeito pelos motivos familiares invocados, mas é legítimo ter dúvidas sobre se foram essas as razões, face às divergências que vieram a público nos últimos dias", disse o líder do CDS.
Campos e Cunha assinou, domingo, um artigo de opinião no PÚBLICO em que considerava que nem todo o investimento público é positivo para o crescimento económico, uma semana depois de o primeiro-ministro ter apresentado um mega- programa de investimentos públicos para os próximos anos.
"É muito importante que o primeiro-ministro assuma plenamente as suas responsabilidades e explique ao país, com toda a transparência, o que se passou, quais as divergências e como vão ser resolvidas", exigiu Ribeiro e Castro.
Teixeira dos Santos toma posse amanhã
O novo ministro das Finanças será Fernando Teixeira dos Santos, actual presidente da Comissão de Mercados e Valores Mobiliários, que será empossado amanhã, às 12h00, pelo Presidente da República, Jorge Sampaio.
Sobre o nome escolhido, Ribeiro e Castro não quis fazer comentários, salientando que o importante será "conhecer a política".
"O país necessita de políticas rigorosas nas finanças públicas. Não pode ficar a ideia de que se despediu um ministro de rigor para seguir medidas não rigorosas", afirmou o líder do CDS, sublinhando que "seria trágico" se os sacrifícios pedidos aos portugueses não tivessem tradução.
"É essa clarificação política que o primeiro-ministro tem de fazer ele próprio", insistiu.

