Relvas defende quem vai ocupar cargos políticos "deve estar acima de qualquer suspeita"

24.08.2009 - 20:48 Por Lusa
O presidente do Instituto Sá Carneiro, Alexandre Relvas, defendeu hoje que quem ocupa ou vai ocupar cargos políticos "deve estar acima de qualquer suspeita", sob pena de se contribuir para a descredibilização das instituições democráticas.
Numa intervenção na abertura da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vida, o social-democrata sublinhou ainda que a política só é uma actividade nobre se tiver como "referência absoluta a verdade e a ética".
E acrescentou: “A política exige também um elevando sentido ético, em particular tem de ser absolutamente intransigente com a corrupção. Nenhum interesse se pode sobrepor, em nenhumas circunstâncias, ao interesse público”.
"A política deve ser exercida com verdade, transparência e sentido de compromisso evitando o populismo e a desinformação, que podem dar resultados a curto prazo, rapidamente são objecto de reprovação pelos nossos concidadãos".
As listas eleitorais do PSD incluem dois arguidos em processos judiciais, António Preto e Helena Lopes da Costa, pelo círculo de Lisboa, o que motivou duras críticas à direcção por parte do líder da distrital Carlos Carreiras, entre outras pessoas ligadas ao partido. Ainda antes da aprovação das listas, no passado dia 2, o antigo líder social-democrata Luís Marques Mendes considerou "uma vergonha" para a democracia e uma "atitude chocante" para o comum dos cidadãos que políticos acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes graves - como corrupção - "possam impunemente ser candidatos a eleições".
O presidente do Instituto Sá Carneiro acusou ainda o Governo de promover o controlo económico dos órgãos de informação, por "grupos que lhe poderão garantir uma comunicação favorável".
"São sistemáticas as tentativas de limitar a liberdade de informação, resultantes de decisões da entidade reguladora, da política de propaganda do Governo, ou da promoção também pelo Governo do controlo económico dos órgãos de informação, por grupos que lhe poderão garantir uma comunicação favorável", afirmou Alexandre Relvas.
Num discurso onde deixou alguns conselhos aos jovens, nomeadamente para não dependerem da política e a terem "vida e profissão", porque só desta forma não terão dependências ou de lutar por lugares, Alexandre Relvas falou também da necessidade de respeito absoluto da liberdade e dos valores do Estado de Direito.
"Acreditamos que a actual maioria já não merece a confiança dos portugueses, que não lhe querem dar uma segunda oportunidade", declarou, considerando que o que está em confronto são "duas visões do país completamente diferentes". A este propósito, Alexandre Relvas destacou a "ambição" social-democrata de reforçar a sociedade civil na vida económica e social, de promover a igualdade de oportunidades e o emprego, a redução da despesa do Estado. A "aliança entre o PS e alguns dos grandes grupos económicos" mereceu igualmente uma nota no discurso de Alexandre Relvas, que criticou a atitude desses grupos económicos "que não se inibem, sem qualquer pudor, de intervir activamente a apoiar o PS e em particular as políticas de investimento público de que beneficiam".

