Relvas "adia" crise política e sugere remodelação governamental

30.08.2010 - 20:08 Por Luciano Alvarez
O secretário-geral do PSD admite a viabilização do Orçamento caso haja cortes na despesa e lembra que o Governo tem mais três anos de mandato.
Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, fez ontem um dos discursos mais duros contra o primeiro-ministro desde que a direcção social-democrata liderada por Passos Coelho tomou posse. Na abertura da Universidade de Verão do partido, em Castelo de Vide - que decorre até domingo e termina com um discurso do líder -, o número dois do PSD acusou José Sócrates de "ter um discurso político bipolar", de sofrer da "síndroma da bruxa má" e de "até meter dó pela forma como se agarra a algum indicador, por mais insignificante que seja". E, referindo que o Governo ainda tem três anos pela frente, sugeriu uma remodelação governamental a José Sócrates.
Apesar das muitas e duras críticas, já depois da intervenção Miguel Relvas afirmou aos jornalistas que a data de 9 de Setembro, apontada por Passos Coelho para o Governo apresentar indicações sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2011, "não é um ultimato". "O que dissemos foi: até dia 9, o Presidente da República tem poderes para que a palavra seja devolvida aos portugueses sobre se o Governo tem um projecto suficientemente claro para Portugal", explicou.
Por outro lado, acrescentou, o PSD "quis dizer ao Governo que o OE pode ser viabilizado", mas para isso "é preciso cortar na despesa" e "acabar com o ataque à classe média" com os aumentos de impostos e os cortes nas deduções fiscais. Questionado sobre se o PSD poderá vir a aceitar que se mexa nas deduções dos escalões mais altos, Miguel Relvas disse que o problema não é nas classes mais altas. O grande problema é que para o PSD é "inaceitável" o executivo querer mexer a partir do terceiro escalão. "Isso é que nós não aceitamos", garantiu, considerando que "apenas na cabeça deste Governo" uma pessoa que ganhe 1300 euros é uma pessoa rica.
Depois de reabrir a porta à negociação do OE, Relvas afirmou mais do que uma vez que este executivo "ainda tem ainda uma expectativa de governação de três anos", "embora já esteja desgastado". Mas sugeriu uma remodelação governamental: "O caminho errático que está ser seguido tem de ter cobro e o primeiro-ministro tem condições para o fazer. Que refresque o Governo, se assim o entender. Este Governo tem maioria, não é um Governo de gestão", afirmou.
As palavras mais duras de Relvas para o primeiro-ministro foram feitas durante a intervenção aos jovens "universitários". "O primeiro-ministro sofre da síndroma da bruxa, quando se põe em frente ao espelho e pergunta se há alguém melhor do que ele", afirmou ainda o "número dois" do PSD, referindo que Sócrates "imagina viver num país que não é o real".
Miguel Relvas referiu-se ainda ao líder do executivo como alguém que tem "um discurso bipolar do ponto de vista político", dando como exemplo o facto de há três meses "dizer que o líder da oposição até era bom e agora se referir a ele como um perigoso extremista". "Os velhos do Restelo foram substituídos por estes cataventos da vida política", acrescentou.
Referindo-se ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas classificou-o com "um homem que indica os caminhos". "Daqui a três anos, no fim da legislatura, os portugueses saberão o que é melhor", afirmou ainda. "Portugal não pode continuar a ter um primeiro-ministro que é eleito com um discurso e é destituído a dizer outra coisa", acrescentou, acusando ainda Sócrates de ter discursos "que parecem do Bloco de Esquerda".
Notícia alterada às 11h08 de 31 de Agosto

