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Ramiro Lopes da Silva: Um português à frente do Programa Alimentar Mundial da ONU

09.02.2010 - 09:48 Por Andrea Cunha Freitas

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Ramiro Lopes da Silva trabalha com o PAM desde 1985 Ramiro Lopes da Silva trabalha com o PAM desde 1985 (Robert Sullivan/Reuters)
Ramiro Lopes da Silva, um engenheiro português que há 25 anos participa em operações de emergência em todo o mundo, será a partir de Março o "número dois" do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas.

Dizem que motiva as suas "tropas" com gargalhadas, dizem que tem "memória de elefante" e é capaz de impressionar com números e estatísticas das operações que conhece de cor. Dizem que é dos que fala quando as coisas estão mal, dos que ainda dizem o que pensam, que tem sentido de humor, que é discreto.

"Ramiro representa o paradigma de lealdade e devoção, não apenas ao PAM e às Nações Unidas mas às pessoas mais vulneráveis do mundo [...]. Inspira lealdade e devoção idêntica dos seus funcionários, onde quer que trabalha. A sua palavra é ouro e isso é conhecido do PAM e em todo o mundo", disse Josette Sheeran, a directora executiva do PAM, no comunicado oficial da organização, divulgado ontem, onde anunciava a nomeação do seu novo "vice". Ramiro Lopes da Silva, português nascido em Moçambique em Janeiro de 1949, é - como o próprio PAM define - um "veterano" de operações em todo o mundo. Actualmente ocupa o cargo de oficial de operações e director de Emergências na organização e, como sempre, está neste momento destacado onde mais precisam dele: no Haiti, onde refere que é preciso "mudar o tom e a narrativa da resposta humanitária".

"Perito em catástrofes"
A escolha de Lopes da Silva foi anunciada ontem, no início da reunião do comité executivo do PAM, em Roma. O português deverá assumir formalmente funções a 1 de Março, substituindo Staffan de Mistura, que abandona o cargo após ter sido nomeado representante especial do secretário-geral da ONU no Afeganistão. A trabalhar com o PAM desde 1985, Ramiro Lopes da Silva já esteve em Angola, Afeganistão e Iraque e liderou operações no Sudão, Etiópia e Paquistão.

Um dos momentos mais marcantes na sua carreira foi também um dos mais duros momentos na história da Organização das Nações Unidas. Em Agosto de 2003, Lopes da Silva apareceu em jornais e televisões com ferimentos na cabeça e na mão para arrumar os restos do trágico atentado ao quartel-general da ONU no Iraque, um hotel em Bagdad, que matou o seu amigo Sérgio Vieira de Mello, o diplomata brasileiro que então chefiava a missão naquele país, e outros 23 companheiros. Na altura, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, acabou por nomeá-lo interinamente como o principal responsável da organização no Iraque. "Aprendi a dominar as emoções, pois servi toda a minha carreira em países de guerra, em situações de emergência", disse aos jornalistas no rescaldo da tragédia.

O serviço e a dedicação às Nações Unidas tinham começado muito antes. Ramiro Lopes da Silva trabalha em acções de emergência desde 1985, sobretudo na coordenação das operações do PAM. O especialista com mestrado em Engenharia Eléctrica estava no Porto e nos Caminhos de Ferro de Moçambique quando foi desafiado a trabalhar com a organização. Seria uma experiência para três meses. O desfecho adivinha-se e este "perito em catástrofes" foi chamado para todo o mundo durante os anos que se seguiram. Esteve no Chade, Etiópia, Bósnia, Ruanda e Kosovo. Depois do 11 de Setembro foi colocado no Afeganistão. Em Maio de 2002, Kofi Annan nomeou-o coordenador humanitário no Iraque. A partir do Hotel Canal, em Bagdad, organizava o trabalho de 12 organismos e agências, num total de cinco mil funcionários. Quem trabalha ou trabalhou com ele não poupa nos elogios.

Ramiro Lopes da Silva, filho de mãe cabo-verdiana e pai português, talvez não goste deste artigo. Numa entrevista à revista Visão, em Agosto de 2003, referia: "Sou um pouco introvertido, avesso a publicidade e não me sinto à vontade com mordomias e atenções desmesuradas." Mas, desta vez, era mesmo caso para isso.

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Título

Filho de pai português e mãe cabo-verdiana? Um erro de anacronismo ! Talvez a Andre Freitas não ...

P. Jorge

09.02.2010 13:49

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