A eleição directa do líder do PSD vai hoje a votos, com os subscritores das várias propostas de alteração aos estatutos ainda à procura de um texto único sobre esta matéria.
A fórmula de consenso para as eleições directas, principal razão de ser do XXVIII Congresso do PSD, esteve em discussão durante esta madrugada entre os subscritores das várias propostas, mas a reunião terminou sem acordo.
As negociações recomeçam hoje às 12h00, sendo o principal ponto de discórdia saber se este método se aplicará apenas ao presidente do PSD ou também à restante comissão política nacional.
Luís Filipe Menezes e Rui Gomes da Silva são os principais defensores de que a eleição directa por todos os militantes se limite ao líder do PSD.
O primeiro dia do congresso, que termina hoje, decorreu num ambiente morno e em que nem a intervenção do líder Marques Mendes entusiasmou os cerca de 950 delegados. Na sua intervenção, em que o momento mais aplaudido foi a referência ao Presidente da República Cavaco Silva, Marques Mendes apelou à fusão das sete propostas de alteração estatutárias no ponto que diz respeito às eleições directas .
"Se as directas não fossem consagradas neste congresso, causaríamos enorme frustração em todos os militantes e uma grande perplexidade na opinião pública", dramatizou Mendes, lembrando que a aprovação deste sistema de eleição corre sponde a "uma vontade esmagadora dos militantes".
O líder do PSD nada disse, contudo, sobre a data em que se deverão realizar as primeiras directas, caso sejam aprovadas neste fim-de-semana, uma dúvida que deverá manter durante todo o congresso.
Num discurso em que fez um balanço "muito positivo" dos seus dez meses de liderança, Mendes não esqueceu os críticos, garantindo que nunca se irá deixar pressionar "por aqueles que querem uma oposição diferente".
"Não contem comigo para o foguetório, para a política aos berros ou à paulada", disse, considerando que "o PSD não é uma produtora de eventos televisivos".
O seu adversário do último congresso e principal voz crítica da direcçã o social-democrata, Luís Filipe Menezes, manifestou a sua disponibilidade para alcançar um acordo no que diz respeito às eleições directas mas deixou críticas veladas ao líder.
Considerando que o PSD "não pode dormir sobre vitórias circunstanciais" - as autárquicas e as presidenciais - Luís Filipe Menezes exigiu a Marques Mendes uma oposição "permanente e persistente" ao governo socialista.
Também o anterior líder, Pedro Santana Lopes, - que no último congresso garantiu que iria "andar por aí" - foi visado por Menezes. "Não ando por aí mas estou aqui", contrapôs.
As críticas a Marques Mendes vieram ainda do ex-ministro de Santana Lopes Rui Gomes da Silva, que criticou a forma do líder fazer oposição. "O PSD sob a sua liderança cometeu um pecado original, ao aceitar que o actual Governo dissesse do Orçamento de 2005 o que disse sem contestação", criticou, referindo-se à proposta orçamental elaborada pelo executivo PSD/CDS de Santana Lopes, que Gomes da Silva integrou como ministro dos Assuntos Parlamentares .
Os trabalhos, que encerraram às 02h00 de hoje, serão retomados às 10h00, estando a votação das propostas de alteração estatutárias marcada para as 18h30.


