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Roseta defende regras contra promiscuidade entre política e media

PSD vê ida de Pina Moura para TVI como controlo político "assumido e sem qualquer vergonha"

20.04.2007 - 09:33 Por São José Almeida, Filomena Fontes, PÚBLICO

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A saída de Pina Moura da Assembleia da República e a sua entrada na administração da Media Capital provocou reacções diversas.
Elementos do PS defendem a criação de regras que separem interesses políticos, económicos e mediáticos, bem a declaração de interesses dos políticos Elementos do PS defendem a criação de regras que separem interesses políticos, económicos e mediáticos, bem a declaração de interesses dos políticos (Dulce Fernandes/PÚBLICO (arquivo))

Helena Roseta começou por referir ao PÚBLICO que já na sua moção ao último congresso do PS, em Novembro, em Santarém, criticou Joaquim Pina Moura, numa referência sem o nomear, ao demarcar-se da existência de deputados que acumulam funções políticas com “altos cargos em empresas cujos interesses muitas vezes entram em confl ito com o interesse geral”.

Alargando o âmbito do problema, Helena Roseta defende que “o que está em causa é a urgência de definir regras muito mais rigorosas contra a promiscuidade entre o poder político, o poder económico e o poder mediático”. E sustenta: “É preciso separar as águas e tornar claros os interesses que estão por detrás de quem intervém ou detém certos lugares, o que não tem acontecido.”

E exemplificando critica que haja dirigentes partidários a ocupar os lugares de comentadores de serviço nas televisões, sem que seja claramente identificado o seu lugar nas direcções partidárias, para concluir: “Não tem havido declaração de interesses e essa promiscuidade afecta a qualidade da democracia.”

Também a favor de uma “rigorosa, forte, clara e completa” declaração de interesses de quem está na vida política, na vida pública e na vida partidária é Francisco Assis, eurodeputado e antigo líder parlamentar do PS com António Guterres.

Isto, porque considera, com base na sua experiência à frente da bancada socialista, que “as incompatibilidades podem afastar gente muito válida e reduzir o Parlamento a meia dúzia de pessoas brilhantes que têm um currículo indiscutível e o resto funcionários partidários e políticos que ninguém conhece”.

Quanto a Pina Moura, Assis considera que tomou “a única decisão sensata” e esclarece que, para si, a questão não é a de a Média Capital ter capital espanhol, “a questão da incompatibilidade prende-se com ser uma empresa com interesses importantes na comunicação social”.

Por sua vez, José Junqueiro, vice-presidente da bancada socialista, considera “normal que Pina Moura tenha feito esta opção, para não misturar a actividade política com um cargo de administração numa empresa com significado na área da comunicação social”. E não deixou de frisar que “merece ser sublinhado o contributo político qualificado que Pina Moura sempre deu ao grupo parlamentar e ao PS”.

PSD fala de projecto político

Para o PSD, com esta nomeação “fica sem qualquer disfarce o projecto político socialista da tomada de controlo da TVI”. “O dr. Pina Moura, presidente da TVI, é a completa falta de pudor, é o descaramento total, é o controlo político assumido sem qualquer vergonha e de forma ostentatória”, declarou ao PÚBLICO Azevedo Soares, registando que “tudo isto se passa num momento de dificuldades políticas do primeiro-ministro e do Governo”.

O líder do CDS, Ribeiro e Castro, considerou que estas nomeações “vão numa linha de uma longa manus de concentração de poder socialista em Portugal”. “Não é uma nomeação que favoreça uma imagem de independência, pelo contrário”, frisa Ribeiro e Castro.

Abstendo-se de ajuizar sobre eventuais perigos de independência editorial da TVI, Francisco Louçã, do BE, limitou-se a observar ser “surpreendente” que Pina Moura possa presidir simultaneamente a duas grandes empresas com a dimensão da Iberdrola e da Média Capital. “Acho inexplicável”, afirma Francisco Louçã. Contactada pelo PÚBLICO, a direcção do PCP não quis fazer qualquer comentário.

A reforma do "Cardeal"

Pina Moura ficou conhecido como o homem que gizou os Estados Gerais para Guterres. O papel que desempenha na ascensão deste ao poder e na sua gestão governativa granjearam-lhe a alcunha de o "Cardeal" - uma alusão a que o seu poder era comparável ao de Richelieu. Já antes no PCP Pina foi um dos delfins de Cunhal e liderou a criação da JCP. Mais tarde, foi um dos principais mentores da dissidência conhecida como Terceira Via.

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Não acredito nessa do Polvo à portuguesa

Não acredito nessa do Polvo à portuguesa. Não, enquanto o Público for jornal e tiver os jornalistas ...

Anónimo

21.04.2007 02:44

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