A bancada do PSD vai abster-se na votação das propostas para a realização de um novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, segundo disse hoje o líder social-democrata, Luís Marques Mendes, acrescentando que a posição do seu partido deve ser entendida como um sinal sobre a prioridade que o PSD atribui à consulta popular sobre a Constituição europeia.
"Na votação das propostas de resolução [sobre o referendo do aborto] o PSD vai abster-se", afirmou Marques Mendes, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com o Presidente da República, Jorge Sampaio.
A votação dos projectos de resolução do PS e do BE sobre o referendo relativo à interrupção voluntária da gravidez decorre depois de amanhã na Assembleia da República.
"Não inviabilizamos a ideia do referendo [ao aborto], poderá ser feito, não obstaculizamos. Mas só deve ocorrer depois do referendo europeu", sublinhou Marques Mendes.
"Se votássemos a favor poderíamos dar um sinal errado", acrescentou, insistindo que a consulta popular sobre a Constituição europeia "é de relevante interesse nacional" e, portanto, deverá ocorrer antes do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Quanto aos projectos de despenalização da interrupção voluntária da gravidez nas primeiras semanas do PS, PCP, BE e "Os Verdes", Marques Mendes reafirmou que será dada "liberdade de voto" aos deputados sociais-democratas, já que considera tratar-se de "uma questão íntima, do foro de cada um".
Os projectos de lei do PS, PCP, BE e "Os Verdes" serão discutidos e votados na primeira parte do debate sobre a interrupção voluntária da gravidez, na quarta-feira, e num segundo momento vão ser votadas as propostas de resolução do PS e do BE para a realização de um referendo.
PSD quer "uma oposição firme" ao Governo
Outro dos assuntos em destaque no encontro com o Presidente da República, para a tradicional apresentação de cumprimentos da nova direcção social-democrata, foi a forma como o PSD pretende fazer oposição ao Governo.
"Uma oposição firme, como é normal, mas também uma oposição responsável", afirmou Marques Mendes, apelando ao Executivo de José Sócrates para que decida "rapidamente soluções para Portugal ter um rumo", nomeadamente em matéria de finanças públicas e economia.
"Queremos que o Governo diga como vai estimular o crescimento da economia e como vai reduzir o peso do Estado. Não se trará de saber o que se deseja, mas como se vão alcançar esses objectivos", sublinhou.
Além de Marques Mendes, a delegação do PSD que se deslocou ao Palácio de Belém integrava ainda os vice-presidentes Paula Teixeira da Cruz e Azevedo Soares e o secretário-geral social-democrata, Miguel Macedo.
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