PSD sem pressa em anunciar cabeça de lista às eleições europeias de Junho

05.03.2009 - 09:04 Por Leonete Botelho, Nuno Simas
Vital Moreira não é uma escolha que pareça preocupar o PSD. O anúncio do cabeça de lista do PS às eleições europeias podia ter precipitado o lançamento do candidato social-democrata, mas acabou por acontecer o contrário. Isto porque a escolha socialista desguarnece o centro e deixa mais espaço para o candidato social-democrata. Sobretudo se o nome for forte e inesperado, como se promete. Mas o anúncio só deve ser feito em Abril, por alturas da Páscoa.
Na primeira comissão permanente do PSD após o anúncio do nome de Vital Moreira como candidato do PS, o dossier europeias não esteve na agenda formal da reunião. Mas é claro que a direcção do PSD entende que Vital, com um perfil de esquerda, "não entra" no eleitorado do centro, que o partido deve investir na "política interna" e na oposição ao Governo e "não deve antecipar muito" a campanha eleitoral para as europeias, que se disputam a 7 de Junho.
Manuela Ferreira Leite não quer entrar em pré-campanha cedo demais e descentrar as atenções do essencial: a crise. Um membro da direcção de Ferreira Leite admitiu que o perfil do candidato europeu tem que responder às necessidades de um debate centrado na crise económica em três frentes: mundial, europeia e nacional.
O PSD não está disposto a cair no engodo do PS de colocar o debate em torno das europeias no plano académico e promete dar luta naquilo que realmente interessa aos portugueses. Não foi por acaso que ontem, no Parlamento, a propósito do congresso do PS, um dos vice-presidentes da bancada, Montalvão Machado, avisou os socialistas: "Vocês vão ter, metro a metro, palmo a palmo, o PSD a lutar para ganhar."
Sobre nomes, mantém-se o tabu absoluto. Afastada, ao que tudo indica, a hipótese Marcelo Rebelo de Sousa - que, apesar de ser o nome mais consensual e desejado, afirmava ontem ao DN "não estar para aí virado", porque prefere "tarefas executivas" -, no partido especula-se em torno de duas ou três alternativas. Marques Mendes é visto como "o candidato natural" mas pouco provável, Aguiar-Branco seria uma hipótese demasiado óbvia mas já afastada, enquanto António Borges não suscita entusiasmo.
O nome de Passos Coelho também chegou a ser atirado para cima da mesa. Unia o partido, desafiava o adversário interno e ainda o afastava para longe, além de que, se ele perdesse, a derrota seria sua, pessoal. A direcção rejeitou. O próprio também o deveria fazer.

