A ideia era pôr Pedro Passos Coelho, nos primeiros dez dias de Outubro, a percorrer o país para ouvir os portugueses. Havia um pré-programa, algumas iniciativas já agendadas, sobre a economia social, mas a situação política confusa por causa do Orçamento do Estado de 2011 e as falhadas negociações entre o PSD e o Governo fizeram adiar a iniciativa.
Na actual conjuntura, a "volta" do líder poderia dar a imagem de que o PSD estava em clima pré-eleitoral. Essa foi a explicação dada primeiro por Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, e depois pelo próprio partido, Pedro Passos Coelho, num encontro com as distritais do partido, na segunda-feira à tarde, de acordo com relatos da reunião feitos ao PÚBLICO.
Agora, a direcção social-democrata quer o líder menos exposto. Compreende-se: se Passos Coelho andasse na rua, numa fase que antecede a entrega do Orçamento (até 15 de Outubro), ficaria sob a pressão dos media perante toda e qualquer notícia, positiva ou negativa.
Assim, do programa inicialmente previsto sobre a economia social – o PSD está a preparar uma lei de bases – vai ser reduzido ao mínimo, apenas às iniciativas já divulgadas publicamente pelas distritais. Na quarta-feira de manhã haverá um colóquio na Assembleia da República, encerrado por Passos Coelho, sobre o tema da economia social.


