PSD quer vitória absoluta mas PS recusa o jogo da contabilidade

30.09.2009 - 08:53 Por José Augusto Moreira, Filomena Fontes
Apesar da severa derrota nas legislativas, o PSD mantém intacta a sua ambição de continuar a ser o partido dominante no poder local e de continuar a liderar a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses) e a Anafre (Associação Nacional de Freguesias). Os objectivos para as eleições autárquicas foram definidos há meses pela direcção de Ferreira Leite - num cenário de possível vitória nas legislativas - e apontam para um reforço do PSD em todas as frentes.
Além da maioria dos votos e de presidências de câmaras, os sociais-democratas querem também uma maioria de mandatos autárquicos, a única vertente em que o PS está actualmente em vantagem. "É um objectivo ambicioso mas, a ser conseguido, é a vitória absoluta", reconhece Castro Almeida, vice-presidente do PSD e coordenador nacional para as eleições autárquicas.
Mais prudente é o discurso oficial do PS, que recusa definir objectivos refugiando-se na ideia de que não há um mas várias centenas de actos eleitorais simultâneos. Daí que os socialistas nem sequer queiram entrar na competição directa com o PSD pela liderança da ANMP. "Não queremos fazer essa contabilizaçãotout courtpara obter a liderança da ANMP ou da Anafre, porque o que queremos é servir bem as populações em todos os concelhos", defende Miranda Calha, o secretário nacional do PS com o pelouro das autarquias.
E se há coisa em que este dirigente socialista insiste é que não se poderão confundir os resultados do próximo dia 11 de Outubro com a avaliação global do desempenho do partido. "Não há leituras nacionais em termos de eleições locais, são actos eleitorais específicos e, portanto, não há ilações a tirar", avisa, tendo certamente presente o que aconteceu em Dezembro de 2001. A pesada derrota do PS nas autárquicas levou à demissão de António Guterres, que fugiu do "pântano", precipitando eleições legislativas antecipadas que abriram o corredor do poder para o PSD.
CDU quer reforçar
E se, no PS, o objectivo é não colocar a fasquia demasiado alta, isolando José Sócrates da leitura dos resultados, no PSD a situação é exactamente a oposta. Todos estão à espera da votação nas autárquicas para passarem à discussão da liderança e aos ajustes de contas por causa do desaire das legislativas.
Actualmente com 32 presidências de câmara, a CDU perspectiva um reforço da sua representação. Embora nas eleições do passado domingo os comunistas tenham sido ultrapassados pelo Bloco de Esquerda e pelo CDS-PP, o certo é que ao nível autárquico dispõem de implantação e influência muito superiores a estas duas forças políticas. A CDU só não apresenta listas em sete municípios, candidatando-se ainda em 2275 freguesias, o maior número desde 1989.
Modestos são os objectivos do CDS-PP e do BE, isto apesar de terem sido os dois partidos "vencedores" do passado domingo. Ambos detêm apenas a presidência de uma câmara, o BE em Salvaterra de Magos e o CDS-PP em Ponte de Lima, e a pouco mais aspiram que manter estas posições. Para os bloquistas, que se candidatam agora a 160 municípios (cem em 2005), a principal meta é "saltar de escala", como explicou João Teixeira Lopes. "Temos uma rede de quase cem deputados municipais e queremos passar a ter uma rede nacional de vereadores", adiantou o dirigente nacional e também candidato à Câmara do Porto.
Prudência no BE e no CDS
Cientes de que os mecanismos de voto são completamente diferentes numas eleições locais, os bloquistas acreditam, no entanto, que os resultados nas legislativas podem impulsionar a eleição de vereadores nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e em cidades como Santarém, Coimbra, Aveiro e Braga, mas também no Algarve.
Diferentes são, apesar de tudo, as contas do CDS-PP, já que protagoniza 86 coligações com o PSD, na grande maioria com perspectiva de vitória. As candidaturas próprias são 159 e o principal desafio "é convencer o próprio partido de que há uma vocação autárquica", frisa Hélder Amaral, o coordenador nacional para as autarquias do partido. Reportando-se aos resultados das legislativas, o dirigente do CDS acredita que trouxeram um suplemento de motivação - "é impossível não haver vasos comunicantes" -, mas mostra-se cauteloso, lembrando que em muitos concelhos pode haver "votos de gratidão para com autarcas que se candidatam pela última vez", em consequência da limitação de mandatos.

