• Primeira esplanada Time Out do mundo abre na Avenida da Liberdade
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce
  • O melhor e o pior da passadeira vermelha

Eleições autárquicas

PSD quer vitória absoluta mas PS recusa o jogo da contabilidade

30.09.2009 - 08:53 Por José Augusto Moreira, Filomena Fontes

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Portugueses voltam às urnas dia 11 de Outubro para as autárquicas Portugueses voltam às urnas dia 11 de Outubro para as autárquicas (Adriano Miranda)
Apesar da severa derrota nas legislativas, o PSD mantém intacta a sua ambição de continuar a ser o partido dominante no poder local e de continuar a liderar a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses) e a Anafre (Associação Nacional de Freguesias). Os objectivos para as eleições autárquicas foram definidos há meses pela direcção de Ferreira Leite - num cenário de possível vitória nas legislativas - e apontam para um reforço do PSD em todas as frentes.

Além da maioria dos votos e de presidências de câmaras, os sociais-democratas querem também uma maioria de mandatos autárquicos, a única vertente em que o PS está actualmente em vantagem. "É um objectivo ambicioso mas, a ser conseguido, é a vitória absoluta", reconhece Castro Almeida, vice-presidente do PSD e coordenador nacional para as eleições autárquicas.

Mais prudente é o discurso oficial do PS, que recusa definir objectivos refugiando-se na ideia de que não há um mas várias centenas de actos eleitorais simultâneos. Daí que os socialistas nem sequer queiram entrar na competição directa com o PSD pela liderança da ANMP. "Não queremos fazer essa contabilizaçãotout courtpara obter a liderança da ANMP ou da Anafre, porque o que queremos é servir bem as populações em todos os concelhos", defende Miranda Calha, o secretário nacional do PS com o pelouro das autarquias.

E se há coisa em que este dirigente socialista insiste é que não se poderão confundir os resultados do próximo dia 11 de Outubro com a avaliação global do desempenho do partido. "Não há leituras nacionais em termos de eleições locais, são actos eleitorais específicos e, portanto, não há ilações a tirar", avisa, tendo certamente presente o que aconteceu em Dezembro de 2001. A pesada derrota do PS nas autárquicas levou à demissão de António Guterres, que fugiu do "pântano", precipitando eleições legislativas antecipadas que abriram o corredor do poder para o PSD.

CDU quer reforçar

E se, no PS, o objectivo é não colocar a fasquia demasiado alta, isolando José Sócrates da leitura dos resultados, no PSD a situação é exactamente a oposta. Todos estão à espera da votação nas autárquicas para passarem à discussão da liderança e aos ajustes de contas por causa do desaire das legislativas.

Actualmente com 32 presidências de câmara, a CDU perspectiva um reforço da sua representação. Embora nas eleições do passado domingo os comunistas tenham sido ultrapassados pelo Bloco de Esquerda e pelo CDS-PP, o certo é que ao nível autárquico dispõem de implantação e influência muito superiores a estas duas forças políticas. A CDU só não apresenta listas em sete municípios, candidatando-se ainda em 2275 freguesias, o maior número desde 1989.

Modestos são os objectivos do CDS-PP e do BE, isto apesar de terem sido os dois partidos "vencedores" do passado domingo. Ambos detêm apenas a presidência de uma câmara, o BE em Salvaterra de Magos e o CDS-PP em Ponte de Lima, e a pouco mais aspiram que manter estas posições. Para os bloquistas, que se candidatam agora a 160 municípios (cem em 2005), a principal meta é "saltar de escala", como explicou João Teixeira Lopes. "Temos uma rede de quase cem deputados municipais e queremos passar a ter uma rede nacional de vereadores", adiantou o dirigente nacional e também candidato à Câmara do Porto.

Prudência no BE e no CDS

Cientes de que os mecanismos de voto são completamente diferentes numas eleições locais, os bloquistas acreditam, no entanto, que os resultados nas legislativas podem impulsionar a eleição de vereadores nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e em cidades como Santarém, Coimbra, Aveiro e Braga, mas também no Algarve.

Diferentes são, apesar de tudo, as contas do CDS-PP, já que protagoniza 86 coligações com o PSD, na grande maioria com perspectiva de vitória. As candidaturas próprias são 159 e o principal desafio "é convencer o próprio partido de que há uma vocação autárquica", frisa Hélder Amaral, o coordenador nacional para as autarquias do partido. Reportando-se aos resultados das legislativas, o dirigente do CDS acredita que trouxeram um suplemento de motivação - "é impossível não haver vasos comunicantes" -, mas mostra-se cauteloso, lembrando que em muitos concelhos pode haver "votos de gratidão para com autarcas que se candidatam pela última vez", em consequência da limitação de mandatos.

Estatísticas

  • 19 leitores
  • 4 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1403031

Comentário + votado

eleições

Não se esqueçam que é preciso contar nas autárquicas com a CDU. Eu votei noutros nas legislativas ...

joaquim Saraiva

30.09.2009 19:30

X

Mais em Política (4 de 25 artigos)

Grandes combates e duas lutas fratricidas