Defesa

PSD quer que ministro esclareça compras nas Forças Armadas

21.11.2009 - 17:37 Por PÚBLICO, Lusa

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O partido diz não querer focar directamente o caso Face Oculta O partido diz não querer focar directamente o caso Face Oculta (Luís Efigénio/NFACTOS (arquivo))
O PSD quer a rápida presença do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, em sede de comissão parlamentar, pretendendo obter esclarecimentos sobre as práticas administrativas existentes nas transacções efectuadas pelas Forças Armadas.

“Queremos perceber junto do ministro da Defesa e junto das Forças Armadas se os procedimentos administrativos estão dentro daquilo que se considera boas práticas e se protegem a dignidade e prestígio das Forças Armadas”, declarou o deputado social-democrata Luís Campos Ferreira.

O PÚBLICO avançou hoje que a O2 - Tratamentos Ambientais SA, empresa de Manuel José Godinho, único arguido detido no processo Face Oculta, continua a ganhar concursos públicos. O mais recente foi esta semana. E, desta vez, foi com o Exército.

A O2 comprou, por cerca de 94 mil euros, seis lotes de sucata - "material incapaz para o serviço do Exército". De acordo com o texto do contrato, publicado a 12 de Outubro em Diário da República, tratou-se de sucata de atrelados, viaturas, armários, camas e outros equipamentos. O preço-base variava, conforme os lotes, entre os mil e os 5000 euros, e estes estão depositados no Regimento de Manutenção, no Entroncamento, e no regimento de Guarnição n.º 1, em Angra do Heroísmo, na ilha da Terceira, nos Açores. O negócio aconteceu quando Manuel Godinho já estava detido no âmbito do processo Face Oculta.

Em reacção a estas notícias, o porta-voz do Exército, tenente-coronel Perdigão, afirmou que o concurso público para compra de material de sucata, no qual a empresa O2 - Tratamento de Limpezas Ambientais, de Manuel Godinho, ganhou seis lotes, foi “totalmente transparente e cumpriu todas as normas e procedimentos definidos na lei”.

Sem “enfoque a situações concretas”

Luís Campos Ferreira, deputado do PSD, afirmou que o seu partido “não pretende dar enfoque a situações concretas” nas transacções das Forças Armadas, “nem abordar situações que se possam relacionar com o processo Face Oculta”.

“A Comissão Parlamentar de Defesa, que tem um estatuto de soberania, não é uma comissão de inquérito. Mas temos urgência que o ministro da Defesa compareça em sede de comissão”, disse. No entanto, segundo este dirigente social-democrata, “caso se verifique que há situações estranhas nas Forças Armadas, o PSD poderá avançar para outras iniciativas”.

Segundo o presidente da Comissão Parlamentar de Defesa, o social-democrata José Luís Arnaut, espera-se que o ministro Augusto Santos Silva compareça na Assembleia da República no próximo dia 2, antes de partir para um périplo em que visitará as tropas portuguesas estacionadas no estrangeiro. Questionado sobre a presença do empresário Manuel Godinho em concursos no âmbito das Forças Armadas, o presidente da Comissão Parlamentar de Defesa apenas referiu que esse poderá eventualmente ser um dos assuntos da reunião com Augusto Santos Silva. “Estamos a agendar uma reunião com o ministro da Defesa. Essa reunião reveste-se agora de maior importância e espero que ocorra realmente a 02 de Dezembro”, afirmou José Luís Arnaut.

Manuel José Godinho foi preso preventivamente a 30 de Outubro, no âmbito do processo Face Oculta e está indiciado pela presumível prática de 37 delitos, entre eles o de associação criminosa, 16 crimes de corrupção activa para acto ilícito, oito crimes de tráfico de influência, cinco de corrupção activa no sector privado e três crimes de burla qualificada.

Dois dias antes, a 28 de Outubro, foram feitas três dezenas de buscas em todo o país, incluindo a grandes empresas públicas como a Refer, REN, Galp, EDP e CP. Os investigadores concluíram que Godinho tinha criado uma "rede tentacular integrada" de forma a assegurar negócios com quatro grandes empresas da órbita do Estado. Quem facilitasse os negócios, através da sua influência, recebia, em contrapartida, luvas ou a oferta de bens valiosos, nomeadamente viaturas de topo de gama. Uma "rede" que incluiria, segundo o mandado judicial da operação Face Oculta, Armando Vara, que já reclamou a sua inocência, e José Penedos. No total, foram constituídos 15 arguidos em todo o processo, incluindo quadros da Refer e da EDP.

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vergonha em portugal

Portugal esta bem para os politicos,Bancarios,trafulhas e Sucateiros

arsenio

21.11.2009 17:50

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