O empresário Neto da Silva apresentou hoje formalmente a sua candidatura à liderança do PSD para "credibilizar a política" e, apesar de reconhecer que será difícil vencer as eleições directas, assegurou que se trata de uma candidatura "irreversível".
"Aqui me apresento, numa tentativa de credibilizar a política e restabelecer a confiança dos portugueses numa sociedade que se pretende melhor", afirmou António Neto da Silva, numa declaração na sede do PSD, em Lisboa.
Reconhecendo que "será difícil" vencer as eleições directas que se irão realizar na sequência da saída de Luís Filipe Menezes da liderança do PSD, Neto da Silva garantiu que a sua candidatura "é irreversível, quaisquer que venham a ser os candidatos".
Numa declaração de pouco mais de duas páginas, Neto da Silva assegurou não ter por trás de si "o aparelho do partido, nem concelhias, nem distritais, nem notáveis tradicionais muito influentes" do PSD, mas garantiu que não negociará apoios.
"É precisamente, também isso, que distingue a minha candidatura de todas as outras anunciadas. Sou o único com mãos livres para liderar a mudança profunda de que o partido e Portugal necessitam", salientou.
Contudo, acrescentou, porque a sua vontade é que o PSD deixe de "viver divisões", trabalhará com o novo líder do PSD, caso não vença as directas.
"Se não ganhar, trabalharei com o novo líder. Se ganhar quero ter as mãos livres para escolher os melhores", declarou, reiterando que está na 'corrida' à liderança dos sociais-democratas "para unir, não para separar", para ser "solidário, não para hostilizar, para cooperar, não para competir".
"Estive sempre à disposição dos líderes, (...) nunca lhes fiz guerras exteriores", lembrou.
Neto da Silva, que recordou que integrou o último Governo de Cavaco Silva, exercendo o cargo de secretário de Estado do Comércio Externo, altura em que "chefiou" o processo de instalação da AutoEuropa, disse ainda que a sua candidatura é para todos os militantes que "não querem mais do mesmo".
"Os militantes que perceberam, interiorizaram e sentem dolorosamente na pele que aqueles organismos e pessoas que dominaram a vida política nos últimos 20 anos, não conseguiram resolver os problemas de Portugal, não mostraram uma visão para Portugal e demonstraram, pela prática e pelos factos, que não conseguem nem conceber, nem implementar, as estratégias e as medidas de que Portugal precisa", referiu.
Por isso, Neto da Silva prometeu que, se for eleito líder do PSD, lutará para que as reformas em curso não sejam implementadas de forma "avulsa", "sob uma visão exclusivamente economicista, criando desânimo e insegurança generalizada na Educação, Saúde, Justiça, área fiscal e na Economia".
Questionado sobre a candidatura da ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD, Neto da Silva recordou que se trata de uma "histórica do partido", por quem tem uma estima pessoal "muito grande".
"Vejo a sua candidatura com alegria", acrescentou.
Além de Neto da Silva e Manuela Ferreira Leite, também o ex-líder da JSD Pedro Passos Coelho e o vice-presidente da bancada social-democrata Patinha Antão já anunciaram as suas candidaturas à liderança dos sociais-democratas.


