Alberto João Jardim admitiu hoje que “se tivesse tropas no continente avançava” para a corrida à liderança do PSD, mas como entende não ter os apoios suficientes aposta numa eventual candidatura de Miguel Cadilhe. Este, no entanto, descarta para já essa possibilidade.
“Não admito avançar. Como não tenho tropas, não vale a pena fazer efabulações sobre isso”, declarou o líder do PSD madeirense, à margem da visita oficial do Presidente da República à região autónoma. Jardim sublinha que “um general não deve ir a batalhas se não tiver tropas”, mas admite ter pena pois “sabe muito bem como ganhar eleições”.
Em alternativa, o presidente do governo regional madeirense diz apoiar Miguel Cadilhe, “se ele decidir avançar”, classificando o antigo ministro das Finanças como “um homem que tem uma formação humana, ética, política e económica adequada às grandes transformações que é preciso fazer neste país”.
Jardim diz que Cadilhe “não é orçamentalista como a classe dominante” em Lisboa, numa alusão ao actual Governo, com que tem mantido uma acesa divergência, e a outros potenciais candidatos à liderança social-democrata.
O líder madeirense aproveitou para lamentar a forma como o partido tem gerido esta crise, “indo atrás” dos nomes avançados pela comunicação social, e sustenta que os militantes não se devem “impressionar com isso. O PSD, afirma, precisa de "ousadia e coragem" para "ganhar eleições", optando um projecto com cinco ou seis questões estruturantes em que se distinga do PS.
Cadilhe diz que PSD não precisa da sua ajuda
Reagindo ao apoio da Jardim, o antigo ministro das Finanças distanciou-se da corrida à liderança, por considerar que a sua ajuda “não é necessária” à resolução da crise no partido.
“Isto é uma tempestade que se vai resolver”, afirmou Miguel Cadilhe, ao início da tarde, no final de um colóquio sobre interioridade, na Guarda. Durante a sessão, um elemento da assistência confrontou-o sobre uma possível candidatura, mas o dirigente optou por não responder, dizendo que o assunto estava “fora da ordem do dia".
Já depois do encontro, Cadilhe disse desconhecer o apoio que lhe foi manifestado por Jardim, optando apenas por “lamentar muito a circunstância que o PSD vive”. “Sei que vai vencê-la”, afirmou, lembrando que esta não é a primeira vez que o partido se confronta com dificuldades.


