PSD e Governo trocam acusações de interesses escondidos na lei das nacionalizações

05.11.2008 - 12:25 Por Lusa
O líder parlamentar do PSD e o ministro das Finanças trocaram hoje acusações de protecção de interesses escondidos na defesa da lei das nacionalizações, durante o debate sobre a nacionalização do BPN e a recapitalização do sistema financeiro.
Depois de o líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, ter dito que houve falhas na regulação do caso do BPN, o ministro das Finanças deu uma resposta que gerou fortes protestos dos sociais-democratas.
"Não sei que interesses é que o senhor deputado quer proteger ao falar em falha de regulação", afirmou o ministro Fernando Teixeira dos Santos.
Em resposta, Paulo Rangel disse que o PSD não admitiria "qualquer tipo de insinuação" como aquela feita pelo ministro, exigindo um pedido de desculpas por parte de Teixeira dos Santos.
"Tornou-se evidente que há uma agenda que o Governo quer proteger com esta nacionalização [do BPN]", referiu Paulo Rangel, acusando o executivo de estar a "esconder a falha completa da regulação e a intervenção não atempada do Governo" no caso do BPN.
"Se há alguém que não quer que se esclareça tudo é o grupo parlamentar do PS", afirmou o deputado social-democrata, referindo-se à rejeição decidida ontem pelos socialistas de uma proposta para ouvir antigos administradores do BPN e o seu actual responsável, Miguel Cadilhe.
O líder parlamentar do PSD disse ainda recear que a nacionalização do BPN "não permita que as investigações sejam conduzidas até ao fim".
Teixeira dos Santos disse que o Banco de Portugal "adoptou os processos de contra-ordenação que tinha de adoptar e fez a denúncia à Procuradoria Geral da República".
No domingo, o ministro das Finanças anunciou que o Governo irá proceder à nacionalização do BPN depois de terem sido detectadas prejuizos de 700 milhões de euros, numa altura em que o banco enfrentava o risco de uma ruptura dos seus pagamentos no final desta semana.

